Lançado em 16 de julho de 1956, na Livraria José Olímpio, no Rio de Janeiro, o romanceGrande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, completou 70 anos neste mês. Considerada uma das principais obras da literatura brasileira,será celebrada na programação paralela da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que terá abertura na noite desta quarta-feira (22) e segue com extensa programação até domingo (26).
Na quinta-feira (23), às 11h, o escritor Itamar Vieira Junior, autor deTorto Arado, conduzirá uma conferência, no Sesc Santa Rita, abordando o impacto da linguagem de Guimarães Rosa, além de temas como memória, território, identidade e travessia.
O trabalho de Itamar Vieira Junior, vencedor dos prêmios Jabuti, Oceanos e Leya, também é atravessado profundamente por questões ligadas à terra e às populações tradicionais do Brasil.
O jornalista Leonêncio Nossa, autor da primeira biografia sobre o escritor mineiro, relatou àAgência Brasilque, ao mesmo tempo em que eraconsiderado um livro difícil, a obra estava sempre entre as mais vendidas.
“Isso já em 56. O que ocorre é que a musicalidade no linguajar dos personagens causa muita empatia, tanto que é um livro que deve ser lido em voz alta porque com a musicalidade é fácil de entender”, disse.
Ele lembra que, quando o livro foi lançado, recebeu críticas pela linguagem usada pelo escritor por meio de seus personagens.
“Rosa disse uma vez que as pessoas achavam que ele tinha inventado uma língua. ‘Eu não inventei uma língua. Os vaqueiros de Minas Gerais, da Bahia, de Goiás, falam assim’. Parte da intelectualidade não entendeu o Grande Sertão”, observou o biógrafo.
Outra atração que marca a efeméride terá a participação da escritora consagrada Conceição Evaristo; de Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF); e da jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Miriam Leitão.
No encontro, marcado para sábado (25), às 15h, na Casa Brasil de Histórias, as convidadas compartilham suas leituras da obra, abordando questões como ética, linguagem, justiça e memória.
O Sesc Santa Rita terá mais atividades ao longo da quinta-feira, em homenagem à obra de Guimarães Rosa.
A palestra-performanceElectro-xamanismo e o algoritmo do pacto nos 70 anos do Grande Sertão: Veredasaborda a obra do escritor mineiro a partir da literatura, do som e da imagem, conduzida por Fausto Fawcett.
Às 17h30, o violeiro, compositor e pesquisador Paulo Freire apresentaViola, Rosa e Sertão, espetáculo inspirado em sua experiência e vivência no sertão do Urucuia, região que permeou a criação deGrande Sertão: Veredas. Canções apresentadas tem inspiração no cotidiano do sertanejo, além de cocos de viola, música típica dos vaqueiros.
Autora do livroDiário do grande sertão, que relata os bastidores da minissérieGrande sertão: veredas(TV Globo), de 1985,Bruna Lombardi é a convidada de um talk show literário conduzido pela escritora Tati Bernardi, às 19h30, também no Sesc Santa Rita.
Na minissérie, Bruna era a personagem Diadorim. A previsão é que o programa será reeditado em comemoração aos 70 anos da obra de Guimarães Rosa.
Ainda na quinta-feira e na sexta-feira, às 10h30, haverá a contação de histórias Veredas de histórias: contos do grande sertão, com o narrador Wilson Jequitibá, que conduzirá o público por narrativas inspiradas no universo deGrande Sertão: Veredas.

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