Gratidão, exaltação da importância de políticas públicas de apoio à ciência e pedidos de mais investimentos para atividades científicas. Os três temas pontuaram o depoimento dos 5 bolsistas do CNPq convidados a falar durante solenidade realizada no dia 23/03, em Brasília.
A solenidade de celebração dos 75 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que foi comemorado no dia 23 de março no Teatro Nacional em Brasília, mostrou como o conselho está presente em todas as fases da vida de um pesquisador, tanto daqueles que estão no início da carreira quanto os que já tem décadas dedicadas à ciência brasileira. Durante o evento, pesquisadores em diferentes fases da carreira compartilharam suas experiências de vida e suas trajetórias profissionais.
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Álbum 1 - Luara Baggi e Rodrigo Cabral / MCTI
Álbum 2 - Marcelo Gondim / CNPq
A recém-graduada em Engenharia Florestal pelo Instituto Federal do Amapá (IFAP) Manuelle da Costa Pereira e agraciada na última edição do Prêmio Jovem Cientista, disse que foi uma grande honra estar na celebração dos 75 anos do CNPq, uma instituição que transformou vidas e também transformou a sua.
Alana Vasconcelos é doutora em Educação, ex-bolsista ex-bolsista do Programa RHAE
"Durante as expedições no Vale do Jari, convivendo com extrativistas da castanha da Amazônia, nós percebemos uma realidade que muitas vezes é invisível. Pessoas que passam dias ou até meses floresta sem acesso à energia elétrica, dependendo de geradores caros, poluentes e pouco eficientes. A partir disso surgiu o Kit Solar Castanheiro, uma tecnologia social pensada para ser portátil com reaproveitamento de resíduos, resistente e adaptado à realidade da floresta", explicou.
Ela acrescentou que receber o Prêmio Jovem Cientista com este projeto foi algo muito significativo. "Eu comecei a fazer pesquisa ainda no primeiro semestre da graduação, muitas vezes sem imaginar até onde isso poderia me levar; E hoje eu entendo que a ciência não está em distância. Ela é uma ferramenta de transformação social , especialmente quando nasce dos territórios e das realidades burocráticas. E, nesse cenário, o papel do CNPq é fundamental".
Alana Vasconcelos é doutora em educação, ex-bolsista ex-bolsista do Programa RHAE – Formação de Recursos Humanos do CNPq e uma das sócias da ADA Metaverse, uma deeptech, isto é, uma startup focada em criar soluções inovadoras para problemas complexos da sociedade e da indústria. Ela explica que o apoio do programa Rhae e do Programa Centelha foram fundamentais para aproximar o desenvolvimento tecnológico desenvolvido pelo corpo de cientistas da ADA e colocar essas tecnologias no mercado, integrando assim o triplé academia, empresa e governo.
Alana conta que sua empresa captou mais de R$ 556 mil bolsas do CNPq e esses recursos contribuíram na formação de 15 estudantes de iniciação científica, 5 alunos de mestrado, 2 doutores e 1 pós doutor, todos fundamentais para desenvolver as tecnologias da startup. "O apoio do CNPq gera emprego e renda local, já que dos 25 colaboradores da Ada, 75% são bolsistas do CNPq", afirmou.
O matemático Cristhiano Duarte, repatriado pelo programa Conhecimento Brasil, do CNPq. (Foto: Rodrigo Cabral -ASCOM/MCTI)
O doutor em matemática Cristhiano Duarte, repatriado pelo programa Conhecimento Brasil do CNPq, lembrou que ele foi bolsista de iniciação científica do conselho, depois participou do Programa Pesquisador de Certificado Especial, que faz parte do Programa Ciências e Fronteiras. Antes de voltar ao Brasil, Duarte estudava física quântica na Universidade de Chapel, nos EUA e agora o pesquisador está de volta à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Para Duarte, a recepção de auxílios durante seu caminho acadêmico contribuíram para que ele aprofundasse seus conhecimentos na área escolhida. “É uma honra celebrar os 75 anos do CNPq, instituição pela qual nutro um orgulho imenso e que sempre fez parte da minha trajetória. Fui bolsista de iniciação científica no começo dos anos 2000. Mais tarde, programas como o Ciência Sem Fronteiras me permitiram colaborar com pesquisadores de ponta e, mais importante, trazer talentos internacionais para o Brasil. Essa troca de conhecimento colocou nosso grupo de pesquisa na UFMG na vanguarda mundial da física quântica. Foi nesse caldo de cultura que descobri minha vocação: entender o que separa o ‘clássico’ do ‘quântico’ e como se dá a transição entre um e outro”, disse.
Após o pós-doutorado na Chapman University, nos Estados Unidos, com bolsa do Programa Conhecimento Brasil, o pesquisador está de volta à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde se graduou e agora é professor. “Termino dizendo que estou aqui para retribuir ao meu país tudo o que ele me deu. Estou onde estou por causa do investimento público: das cotas, da expansão universitária, do apoio contínuo das nossas agências de fomento, da consolidação do Instituto Internacional de Física em Natal”, diz ele, lembrando da instituição em que também fez pós-doutorado, com bolsa do CNPq.
doutora Gisele Peres, bolsista da Chamada Atlânticas – Programa Beatriz Nascimento - Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)
A doutora Gisele Peres, bolsista da Chamada Atlânticas – Programa Beatriz Nascimento, da Universidade Federal Fronteira Sul destacou que sua instituição nasceu dos movimentos sociais e de políticas públicas e expplicou que todas as pesquisas que ela desenvolve em seu grupo de pesquisa nascem de um lugar. "Ou ele nasce da curiosidade para resolver um problema real ou ele nasce da dor. O câncer, quando descoberto cedo, pode ser tratado. Mas, na prática, os métodos aéreos são caros, invasivos e inacessiveis para grande parte da população. E é isso que nos levou a pensar e nos dedicarmos a desenolver o biosensor para detecção precoce do câncer. Um biosensor que funciona como uma sonda molecular nanomédica capaz de reconhecer marcadores com horários específico e emetir um sinal quando isso acontece".
A pesquisadora explicou que um dos marcadores que ela e sua equipe estão estudando é o TEC72, uma bioproteína presente em cânceres como melanoma, pâncreas e cólom e que emite uma espécie de assinatura química. "Hoje um dos maiores desafios dessa pesquisa é fazer com que esse biosensor reconheça o TEC72 com precisão. Se bem sucedido, o biosensor pode ser rápido, acessível, não invasivo e capaz de identificar o câncer em estágios iniciais. Mas nós ainda estamos em fase de desenvolvimento", disse. "Agora precisamos avançar. E eu tenho certeza que isso é unânime para todos nós pesquisadores e pesquisadoras aqui presentes. Para que a gente possa avançar, precisamos de mais investimentos em ciência, infraestrutura e insumos e na formação dos nossos jovens e nem tão jovens pesquisadores".
O epidemiologista Cesar Victora, professor da Universidade Federal de Pelotas, bolsista de produtividade do CNPq há 50 anos, representou na cerimônia os pesquisadores seniores de todo o país apoiados pelo Conselho. Vencedor do Prêmio Almirante Álvaro Alberto - maior honraria científica brasileira, promovida pelo CNPq - , Victora foi o responsável por pesquisas que comprovaram que a amamentação exclusiva é a forma mais adequada de alimentar bebês até os 6 meses de idade. "Eu fui apoiado pelo CNPq na iniciação e no doutorado, e inúmeros alunos de mestrado e doutorado que eu orientei receberam bolsa do CNPq. Meus colegas de pesquisa do Centro de Pesquisa Epidemiológica de Pelotas também receberam", disse.
O professor e médico epidemiologista Cezar Victora - Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)
Victora explicou que, enquanto médico, sempre trabalhou em favelas. "Chocava muito as diferenças sociais, ético, raciais, na saúde das crianças que era a área que eu trabalhava. Eu fui para Pelotas em 1977 e não tinha laboratório. Era uma universidade pequena, a faculdade pequena, a faculdade de periferia tinha receio nesse fato e eu resolvi transformar a cidade de Pelotas no meu laboratório", disse.
Esse estudo foi importante porque demonstrou a importância dos primeiros mil dias na vida de uma criança: os nove meses da gestação mais 365 dias.
Outra importante contribuição de Victora foi descobrir que os gráficos de crescimento eram baseados em crianças que recebiam leite em pó em não leite materno. Esta mudança levou ao gráfico de crescimento infantil adotado pela Organização Mundial de Saúde atualmente.




