Diminuir a abstenção é uma das principais estratégias para a disputa de segundo turno para presidente, entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro. Cerca de 33 milhões de pessoas. Esse é o número de eleitores que deixaram de ir às urnas nesse domingo, primeiro turno das eleições 2026.
As campanhas de 2º turno recomeçaram oficialmente no fim da tarde de hoje. Desde 5 da tarde, já estão permitidas atividades como comícios, panfletagem e propaganda pela internet. Na próxima sexta, voltam as propagandas de rádio e TV. Na disputa mais acirrada da história depois da redemocratização, a disputa pelo Planalto ficou entre Flávio Bolsonaro, do PL, e Lula, do PT.
Com pouco mais de 56 milhões de votos, Flávio Bolsonaro teve 47,03% do total. Foram 2,224 milhões a mais que Lula, que conquistou 45,16% da preferência do eleitorado. O presidenciável do PL superou o petista em 15 estados, incluindo o Distrito Federal. Já Lula derrotou Flávio em 12 estados do país. O maior percentual de votos em Flávio foi em Roraima, com 71,06% dos votos válidos. O maior percentual de votos em Lula foi no Piauí, com 70,99%.À noite, quando já estava tudo definido, Flávio Bolsonaro falou com a imprensa. Disse que o país quer mudança e chegou a defender o fim da reeleição para presidente.
“Sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição, porque eu preciso só de um mandato para colocar o brasileiro e a brasileira no centro do meu governo para que possa atacar e resolver os problemas reais do Brasil”, disse ele.
Também no final da noite, em São Paulo, Lula fez um discurso aos apoiadores. Definiu a eleição como uma lição da democracia e falou sobre a retomada da campanha no segundo turno.
“É simples escolher o candidato à presidência e o vice. O Alckmin com 16 anos de experiência de governar o estado mais rico do país e eu com 12 anos de experiência de fazer a melhor política de inclusão social desse país”, afirmou Lula.O segundo turno está marcado para daqui a 3 semanas: no dia 25 de outubro. Ontem, a abstenção voltou a chamar atenção: passou de 21%, mais de 33 milhões de pessoas. Isso quer dizer que, a cada 10 eleitores aptos a votar, 2 não participaram. E um lembrete importante: mesmo quem faltou ontem pode votar no segundo turno.
O balanço final do Tribunal Superior Eleitoral apontou que não houve ocorrências graves durante a votação. O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, também afastou suspeitas de interferência estrangeira.
“Não tivemos uma intercorrência grave. Os riscos climáticos afastados. E não tivemos um alerta dos diversos setores do TSE acerca de interferência estrangeira. Registro também nesse momento de encerramento um aspecto que considero especialmente importante para a democracia brasileira e para aqueles que nos acompanharam como observadores. Relatórios parciais do Parlasul e manifestações da OEA apontam transparência e normalidade das eleições brasileiras”, encerrou o ministro
A imprensa internacional repercutiu o primeiro turno das eleições no Brasil. Na Argentina, o La Nación disse que as eleições no Brasil podem consolidar uma mudança ideológica na região e que a vitória no 1º turno é vista como um avanço no alinhamento com os Estados Unidos e com o presidente Donald Trump.
O também argentino Clarín disse que os resultados mudam completamente o cenário do país e que já se vislumbra uma anistia para Jair Bolsonaro. O jornal também afirma que haverá uma disputa acirrada no segundo turno, com a incerteza permanecendo no Brasil.
O espanhol El País destacou que a onda de direita da América Latina obteve uma vitória crucial no Brasil neste domingo e que o herdeiro político de Jair Bolsonaro liderou a apuração do início ao fim contra Lula, citado como um dos políticos mais influentes da América Latina.
O francês Le Monde resumiu o resultado com o título: "Lula pagou o preço pelo descontentamento dos eleitores". O jornal ainda destacou a abstenção de 21%, que deixa um enorme contingente eleitoral em disputa e que isso poderá ser decisivo no segundo turno.
O Washington Post afirmou que o primeiro turno preparou o terreno para uma espécie de revanche, lembrando que há quatro anos Lula derrotou o pai de Flávio Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pela então menor margem da história do país.
Na China, a agência Xinhua citou o "fator EUA", mencionando a proximidade de Trump com Flávio Bolsonaro. O texto cita ainda a pressão tarifária de Washington sobre o Brasil e a exigência de Trump, no ano passado, pelo fim do processo que levou Jair Bolsonaro à prisão.
No Reino Unido, a BBC destacou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro superou as expectativas e que os outros candidatos à presidência derrotados no primeiro turno eram alternativas de direita.
O também britânico The Guardian destacou que Flávio Bolsonaro teve um desempenho melhor do que o esperado e que os resultados favoreceram políticos ligados ao bolsonarismo no Congresso e nas disputas para os governos estaduais.
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