O acesso aos alimentos melhorou em todas as regiões do Brasil entre 2023 e 2024. A confirmação foi feita essa semana pelo IBGE e faz parte de uma pesquisa em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Esses números são de 2024, são números do IBGE, da Pnad Contínua, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. E justamente 2024 foi o ano em que o Brasil deixou o mapa da fome. Uma queda de mais de 20% no número de pessoas que estavam neste mapa, ou mais que dois milhões de pessoas em todo o país, que saíram do mapa da fome. O índice também foi o menor em duas décadas, o menor índice desde 2004.
O estado de São Paulo, o estado mais rico do país, tinha em 2024 quase um milhão de pessoas nessa situação, enfrentando a fome todos os dias, o que se chama na pesquisa de insegurança alimentar grave. De acordo com os dados do IBGE, Norte e Nordeste têm essa situação com mais frequência, mas, em termos absolutos, quem lidera é o Nordeste, depois, o Sudeste, porque, nessas regiões, há mais domicílios, especialmente em São Paulo. Em números exatos, 970 mil pessoas, ou quase um milhão de pessoas, em todo o estado enfrentando a fome.
A reportagem conversou com a criadora do Comida Invisível, que é uma plataforma que une grandes doadores, ONGs, com instituições ou organizações que precisam de alimentos para doação. Essa ideia nasceu justamente dessa inconformidade com o grande desperdício de alimentos e de muitas pessoas passando fome. O objetivo era entender o que explica que o estado mais rico do país tenha quase um milhão de pessoas enfrentando a fome todos os dias.
“Essas pessoas são pessoas que moram na rua, são pessoas que, realmente, o custo de vida ficou muito elevado para ela e ela não está conseguindo pagar o aluguel, juntamente com contas de água, contas de luz, gás. Isso faz com que essas pessoas tenham um baita de um comprometimento de renda mesmo. Porque São Paulo não conseguiu baixar esse número tanto quanto os outros estados? Eu acho que, primeiro, porque é um dos estados com mais alto custo de vida. A gente tem aqui, talvez, ausência de políticas integradas nessa questão da segurança alimentar”, firmou Daniela Leite, diretora da organização Comida Invisível.
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