O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode fortalecer a indústria brasileira e a integração internacional do país. Os impactos do tratado, que deve entrar em vigor em 1º de maio, foram tema de um seminário que aconteceu hoje (27) em São Paulo.
Foram mais de duas décadas de negociações até o acordo entre Mercosul e União Europeia sair do papel. Mesmo com questionamentos na justiça europeia, o acordo começa a valer, de forma provisória, em 1º de maio. Na prática, isso significa a redução de tarifas e mais acesso a mercados internacionais. São dez mil produtos brasileiros, metade deles com tarifa zero para entrar na Europa. Produtos europeus também vão chegar ao Brasil com mais facilidade.
“Quatorze por cento de tudo que nós compramos da União Europeia terá tarifa zero a partir da entrada em vigor do acordo e, ao longo dos anos, um percentual maior de produtos passa a ter tarifa zero. Esse cronograma vai até 15 anos, 18 anos no caso específico de veículos eletrificados, mas, ao longo do tempo, essas reduções tarifárias vão acontecendo gradualmente”, explica Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC.
O acordo Mercosul-União Europeia cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. São cerca de 700 milhões de pessoas e um PIB que ultrapassa US$ 22 trilhões.
“O maior acordo entre blocos do mundo. Isso vai abrir muitas oportunidades, e fizemos até um protocolo, um convênio com o BID, para financiar, inclusive, o setor privado para transformar essas oportunidades em exportação, investimento, complementariedade econômica. Então, é um trabalho importantíssimo, que começa em 1º de maio”, destaca Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do MDIC.
Em São Paulo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu um seminário para discutir os impactos do acordo. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o momento exige parcerias em meio às incertezas globais.
“A América do Sul precisa voltar a discutir integração, e o Brasil tem que liderar isso. As rotas de integração, de buscar mais parceria e de buscar essa interlocução com a União Europeia. Então, acho que foi uma vitória da diplomacia, da civilização, do comércio, da indústria, do crescimento esse acordo e essa reaproximação, que eu acho que vai trazer muitos frutos”.
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