Amamentação e aleitamento materno devem ser foco dos ODS e da saúde das trabalhadoras
Esse direito é importante para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável já que a falta de apoio para exercê-lo pode gerar consequências à saúde da criança e da lactante que trabalha Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
29/08/2025 17h50
Embora haja muitos estudos falando da necessidade da manutenção da amamentação e do aleitamento materno para a saúde da criança, é pouco claro como esse tema também pertence aos estudos da saúde do trabalhador e da trabalhadora. É essencial refletir sobre essa questão neste mês, em que se celebra o Agosto Dourado, dedicado à promoção e ao incentivo do aleitamento materno.
A amamentação é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como única fonte de alimentação do bebê até os seis meses e deve ser mantida até os dois anos ou mais. No entanto, as licenças parentais no Brasil não avançam para além dos seis meses nos melhores casos. De fato, um dos maiores obstáculos para a manutenção da amamentação é justamente conseguir mantê-la após o retorno ao trabalho remunerado.
A maternidade das mulheres trabalhadoras é protegida pelas Convenções 183 e recomendação 191, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Elas preveem diversas medidas de proteção à saúde das trabalhadoras gestantes e lactantes, entre elas, a adaptação das condições de trabalho.
Isso significa que as mães trabalhadoras devem ter suporte para poder interromper a jornada de trabalho para amamentar. Não ter apoio à amamentação no trabalho resulta em consequências na saúde da trabalhadora como aumento de ocorrência de mastites, perda da produção do leite, e até sofrimento mental, pela sensação de culpa e ansiedade por ter que privar o filho ou a filha da amamentação. Três artigos publicados no nº 50, de 2025, da RBSO (Revista Brasileira de Saúde Ocupacional), abordam esta problemática.
Salas de apoio à amamentação
Embora ainda não seja uma obrigação legal a implantação das salas de apoio à amamentação (SAA), elas são incentivadas pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC).
O artigo Percepção de mulheres trabalhadoras acerca da continuidade da amamentação a partir do uso das Salas de Apoio à Amamentação: um estudo qualitativo, de autoria de Carolina Belomo Souza e colaboradoras, produz dados que subsidiam essa política pública, ao investigar a percepção de 53 mulheres trabalhadoras sobre o uso das SAA.
Elas informaram que as salas as ajudaram a manter a produção do leite, preveniu problemas de saúde relacionados à amamentação, evitou o uso de leites artificiais e proporcionou facilidade, apoio e bem-estar. O estudo demonstra a importância e os benefícios das salas de apoio à amamentação nos estabelecimentos de trabalho, como uma estratégia efetiva e de baixo custo.
Aleitamento materno e os ODS
Já o ensaio Contribuição institucional na promoção do aleitamento materno de mulheres trabalhadoras para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveldiscute o impacto da promoção do aleitamento materno no ambiente de trabalho para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
De autoria de Isis Leticia Brasil dos Santos e Vania Girianelli, o texto, publicado no Dossiê Desenvolvimento Sustentável e Trabalho da RBSO, aponta que o apoio à amamentação das mães no trabalho remunerado contribui aos ODS 3 (promover o bem estar para todas as idades), 5 (igualdade de gênero) e 8 (trabalho decente), e o aumento nos indicadores de aleitamento materno contribui para os ODS 1 (acabar com a pobreza), 2 (acabar com a fome), 3, 5, 8, 10 (reduzir desigualdade) , 12 (padrões sustentáveis de consumo) e 13 (mudança climática).
O ensaio discute a necessidade do apoio institucional às lactantes no trabalho para que os ODS sejam atingidos, já que há correlaçãoentre eles e o aleitamento materno.
Política pública
Também publicado no Dossiê de Desenvolvimento Sustentável e Trabalho, o artigoPerfil dos tutores da ação Mulher Trabalhadora que Amamenta no estado do Paraná: um estudo transversal, de autoria de Laudicéia Frois e colaboradoras, investiga um dos pontos principais para a efetividade do programa MTA, da supracitada PNAISC: o alto número de desistências dos tutores formados pelo Ministério da Saúde.
Em uma amostra de 19 tutores, foram mencionadas dificuldades como: “1) falta de tempo e sobrecarga de trabalho; 2) falta de experiência; 3) falta de incentivo e articulação do governo e 4) falta de interesse das empresas”.
Por outro lado, as autoras destacaram potencialidades que podem ser exploradas para a permanência deles. Os tutores consideram que têm fácil acesso a recursos instrucionais, apoio de hospitais e de bancos de leite e recursos para o apoio às lactantes. Ainda reconhecem a importância do tema e encontram rede de apoio institucional no programa MTA.
A publicação desses três artigos na RBSO ajuda a qualificar a discussão da importância do apoio às lactantes no ambiente de trabalho, mostrando que essa questão também pertence ao campo de conhecimento da saúde do trabalhador e da trabalhadora.
Saiba mais
Leia os artigos na íntegra:
Leia os demais artigos do volume 50.
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Texto:
Juliana Andrade Oliveira - Editora Associada da RBSO.
Imagem gerada por IA.
Categoria Trabalho, Emprego e Previdência



