Em 1990, foi descoberta no Cemitério Dom Bosco, em Perus, na zona norte da capital paulista, uma vala clandestina com mais de mil ossadas sem identificação. Estavam escondidos ali os restos mortais de vítimas da repressão da ditadura e de grupos de extermínio. Desde então, tenta-se descobrir as identidades das pessoas enterradas ali.
No ano passado, pesquisadores da Unifesp identificaram duas pessoas que estavam desaparecidas entre esses restos mortais. Uma delas é o ex-militar da Marinha, Grenaldo de Jesus. Nesta sexta-feira (26), a família sepultou o perseguido político no mesmo cemitério. O filho e a neta de Grenaldo se emocionaram durante a homenagem.
Com lágrimas nos olhos, a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, reconheceu a contribuição de Grenaldo na conquista da democracia e a responsabilidade do Estado pela execução dele.
Grenaldo de Jesus foi morto por agentes da ditadura em 30 de maio de 1972. Até o ano passado, ele era um desaparecido político. A partir de hoje, os seus restos mortais descansam em um túmulo com seu nome, onde ele pode ser homenageado pelos seus familiares.
Para quem faz os trabalhos de identificação, o ato de hoje também serve para fortalecer esses esforços.
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