Festival Internacional de Cinema de Arquivo acontece de 16 a 18 de novembro, no Rio de Janeiro, com sessões de filmes, debates, oficinas, homenagem a Luiz Carlos Barreto e atividades culturais gratuitas
O Arquivo Nacional realiza, de 16 a 18 de novembro, no Rio de Janeiro, a 11ª edição do Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo. Com o tema “Cinema, memória e justiça”, o festival reúne filmes, debates, oficinas, atividades educativas e apresentações culturais para discutir a preservação dos acervos audiovisuais e o papel dos arquivos na construção da memória coletiva.
Em sua 11ª edição, o Arquivo em Cartaz parte da ideia de que a preservação e o acesso à memória audiovisual podem contribuir para a promoção da justiça social, aproximando o público dos documentos arquivísticos e estimulando seu uso em novas produções cinematográficas. A programação está organizada em três eixos: preservação, acesso e formação e inovação.
Entre os destaques está a homenagem ao cineasta, produtor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, que abre oficialmente o festival no dia 16 de novembro. Um dos nomes fundamentais da história do cinema brasileiro, Barreto possui um conjunto de materiais audiovisuais sob custódia do Arquivo Nacional. A homenagem contará com a presença de Paula Barreto, produtora e filha do cineasta, e abordará a relação entre sua trajetória e a preservação da memória cinematográfica brasileira.
Cinema, arquivos e as memórias que precisam chegar ao futuro
Um dos debates centrais desta edição trata de um problema cada vez mais urgente: como preservar as memórias registradas em suportes audiovisuais que estão desaparecendo?
A mesa “O futuro do passado magnético”, no dia 18 de novembro, discutirá os desafios relacionados à preservação de registros em suportes magnéticos, incluindo as memórias registradas em VHS nas décadas de 1980 e 1990. A atividade parte da preocupação com a obsolescência dos equipamentos e com a necessidade de conhecimento técnico para digitalizar, operar e preservar esses registros. Participam Cadu Marconi, do Arquivo Nacional; Ines Aisengart, da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual; Mariela Cantú, da Universidad Nacional de La Plata; e José Quental, da Cinemateca do MAM.
A discussão sobre preservação também está presente na Oficina de Conservação de Filmes, realizada durante os três dias do festival. A atividade aborda a materialidade dos filmes cinematográficos, sua composição química, processos de degradação, condições de armazenamento e procedimentos de conservação preventiva. No último dia, os participantes terão uma aula prática de inspeção, revisão e diagnóstico de películas.
Crianças e adolescentes produzem os arquivos do futuro
Outro destaque é a Mostra Arquivos do Amanhã, iniciativa que coloca crianças, adolescentes e jovens no centro da produção da memória audiovisual. A mostra recebe curtas-metragens que documentem acontecimentos, lugares, costumes ou tradições significativas de seu tempo e que possam funcionar como memória audiovisual para os arquivos do futuro.
Os filmes inscritos serão exibidos em uma playlist no YouTube do Arquivo Nacional durante o festival. As inscrições ficam abertas até 8 de novembro.
Cinema ao ar livre no pátio do Arquivo Nacional
Nos dias 17 e 18 de novembro, o público poderá assistir gratuitamente ao Cine Pátio, realizado no pátio interno do prédio histórico do Arquivo Nacional. As sessões serão antecedidas por debates com produtores e/ou diretores dos filmes.
No dia 17, será exibido Gonzaguinha, da maior liberdade, de Susana Lira. No dia 18, será a vez de Anistia 79, de Anita Leandro.
A programação também inclui a Oficina de Escuta ao Acervo – Violas, cantorias e sambas nortistas, conduzida pelo músico e pesquisador Rodrigo Caçapa, a partir de discos de 78 rpm pertencentes ao acervo do Arquivo Nacional. A atividade apresenta músicas, artistas e contextos relacionados às tradições musicais do Nordeste e à formação da indústria fonográfica brasileira nas primeiras décadas do século XX. À noite, Caçapa se apresenta ao lado de Lirinha, em um encontro entre arquivo, memória e criação contemporânea.
Arquivos, educação e novas formas de olhar para a história
A programação educativa inclui o Arquivo Faz Escola, voltado a estudantes do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Nesta edição, será exibido o curta Vozes Negras, de Isabela Ferreira, Karime Pereira e Maria Eliane Alves, seguido de conversa com as diretoras Isabela Ferreira e Karime Pereira.
O festival promove ainda o encontro Com a Palavra, o Usuário, que recebe o pesquisador e realizador Chico Serra para falar sobre suas experiências de pesquisa em arquivos para documentários e séries de televisão. A partir de trechos de produções realizadas entre 2013 e 2025, Serra apresentará diferentes exemplos de documentos encontrados em sua trajetória de pesquisa.
Já o Encontro de Pesquisadores – Imagens em disputa: cinema, arquivos e justiça reunirá profissionais de diferentes áreas que trabalham com pesquisa em acervos audiovisuais e sua utilização na produção cinematográfica. Participam Ana Lúcia Marques Camargo Ferraz, Andrea França e Leila da Silva Xavier, com mediação de Claudia Beatriz Heynemann, do Arquivo Nacional.
Programação
Arquivo Nacional
Praça da República, 173, Centro, Rio de Janeiro
16 de novembro, segunda-feira
9h às 12h – Oficina de Conservação, com Lucas Scalioni: Química e o Desenho da Memória
Híbrido – Auditório
13h45 às 14h45 – Abertura institucional e homenagem a Luiz Carlos Barreto
Híbrido – Auditório
15h às 17h – Oficina de Escuta ao Acervo: Violas, cantorias e sambas nortistas, com Rodrigo Caçapa.
Híbrido – Auditório
18h às 19h – Apresentação cultural: Rodrigo Caçapa e Lirinha
Presencial – Pátio interno
A partir das 17h – Coquetel
17 de novembro, terça-feira
9h às 12h – Oficina de Conservação, com Olívia Castro: Revisão de filmes: “Serpentina do Tempo”
Híbrido – Miniauditório
10h às 12h – Arquivo Faz Escola: Vozes Negras
Presencial – Auditório
16h às 17h30 – Com a Palavra, o Usuário: Pesquisador-usuário contra a “queima de arquivo” audiovisual, com Chico Serra
Híbrido – Auditório
18h às 20h – Cine Pátio: Gonzaguinha, da maior liberdade, de Susana Lira
Presencial – Pátio interno
18 de novembro, quarta-feira
9h às 12h – Oficina de Conservação, com Eduardo Toledo, Lucas Scalioni e Olívia Castro: aula prática
Presencial – Bloco F
13h30 às 15h – Mesa de Preservação: O futuro do passado magnético
Híbrido – Auditório
15h às 15h30 – Coffee break
15h30 às 17h – Encontro de Pesquisadores: Imagens em disputa: cinema, arquivos e justiça
Híbrido – Auditório
17h às 17h30 – Encerramento e lançamento da Revista Arquivo em Cartaz
Híbrido – Auditório
18h às 20h – Cine Pátio: Anistia 79, de Anita Leandro
Presencial – Pátio interno
20h às 21h – Coquetel de encerramento
Atividades paralelas
A programação do 11º Arquivo em Cartaz se estende para além da sede do Arquivo Nacional, por meio do Circuito Nacional de Exibições, com sessões gratuitas de filmes de arquivo em diferentes regiões do país; e a distribuição de publicações sobre cinema de arquivo, preservação audiovisual e memória na sede, em Brasília e nos escritórios regionais.
A programação inclui ainda a publicação da Revista Arquivo em Cartaz, periódico dedicado ao cinema de arquivo e à preservação audiovisual, que reúne artigos, entrevistas, depoimentos e imagens do acervo do Arquivo Nacional. A nova edição será apresentada durante o encerramento do festival, em 18 de novembro.
Serviço
11º Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo
Tema: Cinema, memória e justiça
Data: 16 a 18 de novembro de 2026
Local: Arquivo Nacional – Praça da República, 173, Centro, Rio de Janeiro
Programação: gratuita
Transmissões: canal do Arquivo Nacional no YouTube, conforme programação

