Para prevenir o câncer ocupacional, é necessário eliminar ou substituir o agente cancerígeno. Se isso não for viável, deve-se impedir possíveis emanações por enclausuramento ou outras tecnologias para controle e monitoramento constante, inclusive de "emissões fugitivas, com identificação precoce de qualquer deterioração dos equipamentos".
"Buscar estabelecer limites ou limiares na normatização de agentes reconhecidamente cancerígenos (IARC-1), conforme a farta literatura dos manuscritos da IARC, destes últimos 30 anos, é ocultar o grande risco e perigo desses agentes, que ao serem absorvidos em qualquer quantidade por mínima que seja, podem causar mutações no DNA ou danos celulares que tem o potencial de evoluir para um câncer", avalia o autor Remígio Todeschini, que é doutor em Psicologia Social e do Trabalho pela UnB (Universidade de Brasília) e atua na Fundacentro.
Usar Limites de Exposição Ocupacional como parâmetro para o controle da exposição dos trabalhadores a agentes cancerígenos é admitir a morte estatísticamente aceitável. É o que conclui o artigo A Insegurança do Uso do LEO para os Cancerígenos e a Previdência, publicado na edição 526 da revista Cipa, de julho e agosto de 2026.
No entanto, a subnotificação, ao não reconhecer a relação do câncer com o trabalho, impede que se invista em medidas preventivas. O artigo coloca a questão em evidência ao destacar que a Previdência reconheceu 1.828.808 casos de câncer não laborais e 2.921 acidentários de 2015 a 2025. Mesmo quando se trata do mesotelioma, tipo de câncer que afeta a membrana que reveste a pleura (pulmões) e tem como principal causa o amianto, "o INSS concedeu 424 benefícios para câncer previdenciário e somente quatro casos laborais". Já no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) foram 7.005 notificações de câncer relacionado ao trabalho.
Prevenção e subnotificação
Cristiane Oliveira Reimberg
"Essa insegurança potencializa os riscos, pois ao não serem reconhecidos, ocultam informações para correções no campo de SST. Contribuem para a insustentabilidade e desequilíbrio previdenciário com a sonegação do FAT/SAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador / Riscos Ambientais do Trabalho] e não suporte fiscal aos benefícios acidentários", analisa Todeschini.
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Para fazer essa discussão, o especialista retoma informações do curso sobre diagnóstico e prevenção do câncer ocupacional da instituição em maio deste ano. Na ocasião, pesquisadores de diferentes órgãos mostraram o impacto de agentes cancerígenos, como radiação ultravioleta, radiações ionizantes, amianto, benzeno e sílica, no mundo do trabalho. As aulas voltam a ser disponibilizadas no canal da Fundacentro no YouTube após o período de Defeso Eleitoral.



