Mesmo com o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, Israel intensifica os ataques contra o Líbano. O governo israelense justifica que as ações militares combatem o grupo terrorista Hezbollah. A população civil é a que mais sofre. Pelo menos 1.800 pessoas já morreram desde o início dos bombardeios.
A tensão no Oriente Médio, com a ameaça do presidente estadunidense de exterminar a civilização iraniana, foi amplificada pelos mais de 160 bombardeios promovidos por Israel no Líbano nesta semana. Além da capital Beirute, os ataques também atingiram as regiões sul, leste e o extremo norte libanês. A psicóloga e escritora Rima Awada, libanesa-brasileira, trabalha com migrações há mais de 12 anos e vê uma repetição no ciclo de violência no país.
“Se eu estou aqui desde os meus dois anos de idade, isso significa que o que acontece no Líbano é uma violência cíclica, né? Que há anos, né? Se contarmos só as grandes invasões e guerras foram de 10 a 15 episódios. Se a gente for falar de operações militares, bombardeios, impulsões, dezenas e centenas, né? Se a gente for falar toda a história do território libanês, são anos e anos de conflitos recorrentes e colonização”, detalha Rima Awada.
De acordo com a ACNUR, a agência da ONU para refugiados, desde o início dos ataques de Israel ao Líbano, em 2 de março, mais de um milhão de pessoas, 20% da população do Líbano, teve que deixar suas casas. Os cerca de 20 mil brasileiros que vivem no país foram afetados. Antes dos últimos bombardeios, a embaixada do Brasil em Beirute recomendou que brasileiros não viajem ao Líbano e que os residentes deixem o território por meios próprios.
“Então eu percebo que neste primeiro momento eles estão no modo sobrevivência, um pouco desnorteados, sem saber o que fazer, aquele choque, fico, não fico, vai continuar? E a questão assim, por conta dos ataques à infraestrutura, ataques, bombardeios próximos ao aeroporto, bombardeios aos comboios de segurança, às ambulâncias. Então tudo isso acaba deixando as pessoas cada vez mais isoladas. Então por mais que elas queiram e tenham possibilidade de sair, elas não conseguem”, conta a psicóloga.
No fim de 2024, a Operação Raízes do Cedro, a maior ação de repatriação de brasileiros do país, fez 13 voos de Beirute ao Brasil, resgatando 2600 pessoas. Até o momento, não há informação de novas operações apesar da escalada da guerra.
“É a população civil que acaba pagando o preço alto dessa disputa. A gente percebe que hoje a região ali, incluindo o Líbano, virou o epicentro de deslocamento forçado por conta disso tudo, dessa luta pelo poder, dessa luta pela exploração energética da região, é uma colonização. Então essa repetição cíclica da violência nesse país tão pequeno é por conta dessa região ser tão estratégica mesmo”, destaca ela.
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