Na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursou nesta sexta-feira (26/9), sob protestos dentro e fora do prédio. Várias delegações deixaram o plenário assim que seu nome foi anunciado, entre elas a brasileira, deixando a plateia bastante esvaziada.
Netanyahu iniciou o discurso atacando o Irã e seu programa de armas nucleares. Exibiu um mapa que, segundo ele, representa o “eixo terrorista” do país persa e relembrou as ofensivas de Israel contra o Irã, os Houthis no Iêmen, a Síria e líderes do Hamas em Gaza. “Prometemos que o Irã não teria uma bomba nuclear e conseguimos, mas devemos permanecer vigilantes”, declarou o premiê.
Sobre a guerra na Faixa de Gaza, Netanyahu afirmou que Israel ainda não terminou o trabalho no enclave palestino. Dirigindo-se ao Hamas, ameaçou: “Libertem os reféns e deponham as armas. Se fizerem isso, viverão. Se não fizerem, Israel os caçará.” O líder israelense rejeitou as acusações de genocídio.
Em relação à fome no território palestino, Netanyahu acusou o Hamas de roubar alimentos e revendê-los a preços exorbitantes para financiar sua máquina de guerra. Criticou ainda os países que reconheceram recentemente o Estado Palestino, afirmando que os palestinos não querem coexistir ao lado de Israel, mas substituí-lo. Ele também atacou a autoridade palestina, que, segundo ele, é “corrupta até o osso” e incentiva o assassinato de judeus.
Nessa quinta-feira (25/9), o presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas, fez seu discurso na Assembleia por vídeo, após ter seu visto negado pelo governo dos Estados Unidos. Abbas classificou a ofensiva israelense contra Gaza como um genocídio documentado, que ficará registrado nos livros de história como um dos capítulos mais horríveis do século XXI. Pediu à comunidade internacional que atue contra a ocupação israelense em Gaza e na Cisjordânia e apoie a criação de um Estado palestino.
O líder palestino também condenou o ataque terrorista liderado pelo Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, afirmando que tais ações não representam o povo palestino nem sua luta legítima por liberdade e independência. Abbas disse estar pronto para negociar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem mediando o conflito entre Israel e o Hamas junto ao Egito e ao Catar. Reforçou ainda que o Hamas deve depor suas armas e não terá participação no governo de um futuro Estado palestino.
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