A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) – vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) – firmou um memorando de entendimento com a Biblioteca Nacional do Uruguai. O documento foi assinado pelo presidente da FBN, Marco Lucchesi, e pelo ministro da Educação e Cultura do Uruguai, José Carlos Mahía, na abertura do evento “Fronteiras da criação: bate papo Brasil-Uruguai”, na última segunda-feira (10/08), na sede da Biblioteca Nacional, no Centro do Rio. A partir do memorando, as instituições promoverão o intercâmbio de publicações, a troca de conhecimentos técnicos erealizarão seminários em parceria, entre outras ações.
O evento realizado no Auditório Machado de Assis integrou a “Semana do Uruguai no Rio”, e também contou com as presenças do embaixador do Uruguai no Brasil, Rodolfo Nin Novoa; do cônsul-geral do Uruguai no Rio de Janeiro, Alejandro Mongrell; da subsecretária do Ministério do Turismo uruguaio, Ana Claudia Caram; e do coordenador-geral de Assuntos Internacionais do Ministério da Cultura, Vinicius Gürtler da Rosa – representando a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Na entrada do auditório, o público pôde conferir uma pequena mostra de acervos da Biblioteca Nacional referentes ao Uruguai, com mapas da região fronteiriça. Após a assinatura do memorando, um debate sobre as pontes culturais entre os países e Uruguai e sobre publicações em “portunhol” foi capitaneado pelo escritor e professor de literatura uruguaio, Fabian Severo, e pelo superintendente de Leitura e Conhecimento da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ), Gabriel Salabert.
Cultura e diplomacia
A assinatura do memorando reafirma o compromisso com o diálogo, a cooperação e o intercâmbio cultural entre Brasil e Uruguai. O ministro da Educação e Cultura do Uruguai, José Carlos Mahía, celebrou a parceria: “A Biblioteca Nacional do Brasil é uma referência para nós e para o que pretendemos realizar no Uruguai. Temos uma necessidade forte de avançar com a digitalização de nosso acervo, e esta instituição tem uma experiência de 20 anos nesta área”, afirmou.
O embaixador do Uruguai no Brasil, Rodolfo Nin Novoa, ressaltou os laços de amizade entre os países e a importância da cultura como ponte entre as nações: “Para nós, a cultura na diplomacia é muito importante, porque entendemos que, para mudar o mundo, precisamos de educação e cultura. Brasil e Uruguai têm muito acordos firmados entre si, temos mil quilômetros de fronteira, cidades integradas, um idioma quase comum na fronteira... Neste momento, é preciso seguir confiando que as autoridades do Brasil e do Uruguai seguirão por esse caminho de parceria, que já tem mais de 200 anos de história”, frisou o embaixador.
O presidente da FBN, Marco Lucchesi, fez a última fala da abertura do evento: “A ministra Margareth Menezes tem tido um empenho muito importante na aproximação daquilo que é uma ‘política da paz’, uma política da miscigenação profunda dos nossos sonhos. Como já disse meu querido amigo Claudio Magris, uma literatura de fronteira não é uma literatura de impedimento, ao contrário: é uma fronteira porosa. Uruguai e Brasil representam hoje uma grande aliança, laços profundos nos unem, e para além da proximidade geográfica, temos um destino comum de nossas fronteiras” afirmou.
“A questão das fronteiras tem sido um problema do mundo: como respeitá-las, mas ao mesmo tempo permitir que, a partir delas, o diálogo humano seja realizado. A questão tem sido essencial para nós que trabalhamos com a cultura. Afinal, ou apostamos no soft power, ou vamos todos para a guerra – o que não me parece a opção a mais feliz. Enquanto não considerarmos nossa responsabilidade em uma mesa de diálogo, em que possamos incluir todos que necessitam, continuaremos sempre na ‘cultura do ódio’”, concluiu Lucchesi.



