Durante três dias, a capital Havana foi sede de um marco na história da cooperação entre Brasil e Cuba, momento em que os dois países discutiram a ampliação da cobertura e o acesso da população a produtos e tecnologias de saúde, por meio da implementação de projetos de transferência de tecnologias e da elaboração conjunta de projetos de pesquisa, desenvolvimento, inovação e produção de soluções tecnológicas para o acesso à saúde. O debate ocorreu ao longo da 1ª Reunião do Comitê Gestor Binacional Brasil-Cuba (CGBBC). E, em um primeiro momento, ficou definido que as prioridades serão os projetos de produção de vacinas combinadas e associadas a sistemas de liberação inovadoras; o diagnóstico e tratamento de doenças e populações negligenciadas, com destaque para anemia falciforme, doença de Chagas, dengue, zika e chikungunya; diagnóstico e tratamento do câncer; a produção de medicamentos para enfermidades neurodegenerativas ou associadas ao envelhecimento da população, com destaque para o tratamento do Alzheimer; a produção de medicamentos voltados ao manejo da diabetes e suas complicações; e as plataformas de desenvolvimento e produção de produtos de terapia avançada. Ao final, foi assinado um protocolo que reconhece a saúde como área em desenvolvimento e destaca a importância da integração da dimensão social, econômica e ambiental no acesso universal e equitativo à saúde. Com a assinatura, também foi criado o novo Comitê Gestor Binacional Brasil-Cuba em Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Cuba possui ampla capacidade em ciência e tecnologia, especialmente de base biotecnológica. Em paralelo, o Brasil dispõe de capacidade industrial para produção em escala e mercado relevante devido às demandas do SUS - o maior sistema universal de saúde em termos de população coberta. Além disso, ambas as nações reconhecem a importância do Estado promover e regular a indústria de base química, biotecnológica, mecânica, eletrônica e de materiais, bem como os subsistemas de serviços tais quais atenção primária, hospitais, ambulatórios, serviços de diagnóstico, varejo e distribuição. Foto: divulgação/MS Encontro com o presidente de Cuba Durante a visita da comitiva brasileira, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e coordenador da missão, Carlos Gadelha, foi convidado pelo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, para uma reunião no Palácio da Revolução, sede do governo cubano. “A missão em Havana foi uma oportunidade para que os dois países, juntos, possam melhorar a qualidade de vida da população, com o fortalecimento de políticas para o desenvolvimento científico, tecnológico e da indústria da saúde. O Brasil vai atuar nesse sentido e mostrar que isso não é só um sonho. Vamos apresentar resultados”, assegurou. Segundo o presidente Díaz-Canel, existe vontade e disposição em trabalhar conjuntamente. “Em Cuba, estamos com grandes avanços na questão da produção de medicamentos e vacinas eficientes que servem de exemplo para o mundo. E o Brasil, que volta a ser uma liderança mundial, é a chave para a ciência resistir e avançar”, afirmou. Reunião do CGBBC A primeira reunião do Comitê Gestor Binacional foi realizada entre os dias 5 e 7 de fevereiro na capital cubana. Além do Ministério da Saúde, a delegação brasileira contou com representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Agência Brasileira de Cooperação (ABC), BahiaFarma e da Embaixada do Brasil em Havana. Janary Damacena Ministério da Saúde
09 de fev. de 2024
Brasil e Cuba ampliam cooperação com assinatura de protocolo na área de ciência, tecnologia, inovação e complexo da saúde
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