Um novo centro de pesquisas inaugurado na última semana, em Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará, tem a proposta de tornar as imunoterapias mais acessíveis, reduzindo custos para o Sistema Único de Saúde (SUS). A imunoterapia é um tipo de tratamento contra determinadas doenças usando o próprio sistema imunológico do paciente para combater o avanço do agente infeccioso ou de tecidos danificados como, por exemplo, o câncer. O Centro Pasteur-Fiocruz é projeto pioneiro de colaboração entre o Instituto Pasteur de Paris (França) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As ações do Centro terão três áreas científicas prioritárias: câncer; doenças infecciosas e negligenciadas; e doenças autoimunes, neurodegenerativas e inflamatórias. Entre os projetos patrocinados estão o desenvolvimento de inibidores para tratamento de doenças neurodegenerativas; o desenvolvimento de conjugados anticorpo-fármacos; o desenvolvimento de fragmentos de nanocorpos/anticorpos para Doenças Tropicais Negligenciadas; Células CAR-T; e imunoterapias para melhorar as funções das células T para combater doenças infecciosas. A unidade vai reunir pesquisadores brasileiros e estrangeiros, vinculados às duas instituições, para pesquisas e desenvolvimento de imunoterapias para doenças infecciosas e não transmissíveis. A expectativa é acelerar a pesquisa em imunologia e imunoterapia em nível regional, nacional e internacional. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, participou da inauguração do centro e defendeu que não se pode fazer saúde pública sem ciência e inovação. “Nós estamos discutindo um modelo de desenvolvimento voltado para a vida das pessoas, do planeta. Estamos também discutindo um projeto de equidade regional”. O novo Centro está localizado no Campus da Fiocruz Ceará, em Eusébio, a 30 minutos de Fortaleza, ocupando boa parte de um prédio com 2.350 m². O Centro também será beneficiado pela estrutura da unidade regional da Fiocruz, criada em 2008 e que hoje é a âncora tecnológica do Polo Industrial e Tecnológico de Saúde do Ceará (PITS). Pesquisas científicas em imunologia e imunoterapia Nos últimos 20 anos, o Ministério da Saúde investiu mais de R$160 milhões em 90 projetos relacionados ao tema, que tem ganhado cada vez uma dimensão maior e, para se ter uma ideia dessa amplitude, apenas em 2023 foram 16 projetos e mais de R$38 milhões investidos nas pesquisa científicas. O desenvolvimento de novas imunoterapias é uma importante estratégia de saúde pública. Este tipo de tratamento baseia-se na modulação do sistema imunológico e pode atingir diretamente um agente infeccioso, células e tecidos danificados ou regular do microambiente imunológico promovendo uma resposta imune adequada para combater uma determinada doença. As novas imunoterapias revolucionaram o tratamento do câncer nos últimos anos, mas não se restringem à área oncológica. A sua utilização no tratamento de outras doenças não transmissíveis e infecciosas tem crescido rapidamente, no entanto, têm um alto custo. Ministério da Saúde
22 de mai. de 2024
Brasil tem novo centro de pesquisas científica para tratamento de doenças
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