O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes de vários países assinaram, nesta segunda-feira (13), o acordo de cessar-fogo em Gaza. A assinatura foi durante a cúpula pela paz no Oriente Médio, no Egito, e aconteceu horas depois da tão aguardada troca de reféns e prisioneiros.
Depois de dois anos e sete dias, israelenses sequestrados pelo Hamas estão de volta a Israel, e quase dois mil palestinos que eram prisioneiros foram libertados.
Esse dia, considerado histórico, começou com os reféns israelenses deixando a Faixa de Gaza em carros da Cruz Vermelha, tudo acompanhado de perto pelos palestinos. Depois de receber atendimento médico já em território israelense, os reféns puderam rever a família.
Avinatan Or passou 738 dias sob poder do Hamas e ficou emocionado ao reencontrar a namorada, que foi sequestrada junto com ele, mas libertada antes.
Milhares de pessoas também festejaram nas ruas. Em Tel Aviv, uma multidão se reuniu na Praça dos Reféns. A israelense Sigal Berman disse que esperou muito por esse momento: "É um novo dia para essa região e para o mundo. Estamos muito felizes que eles estão voltando para casa”, afirmou ela.
Os corpos de outros 28 reféns que morreram em cativeiro estão sendo entregues à Cruz Vermelha. Dois deles têm a situação desconhecida.
O dia também foi de emoção do outro lado. Como parte do acordo, Israel liberou quase 2 mil palestinos que estavam numa prisão, no sul do país.
Uma multidão se reuniu em Khan Younis, em Gaza, para receber os ex-prisioneiros. Eles chegaram em vários ônibus, que tiveram dificuldade para avançar entre as milhares de pessoas que se aglomeravam e cantavam nas ruas para comemorar.
Este pai não conseguiu esperar. Matou as saudades do filho pela janela do ônibus. 1.700 palestinos que foram presos durante o conflito também ganharam liberdade hoje. Outros 250 cumpriam longas penas em prisões israelenses.
Mohammed Khatib tinha sido condenado à prisão perpétua. Passou os últimos 20 anos atrás das grades. Hoje, ele disse que o sentimento era indescritível e só queria encontrar a família.
Para celebrar essa primeira parte do acordo de cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos, Catar, Egito e Turquia, o presidente Donald Trump discursou, hoje, no Parlamento israelense. Disse que é um dia histórico, o fim de uma era de mortes e terror no Oriente Médio, e foi ovacionado por parlamentares.
Já no Egito, Trump se uniu a mais de 20 líderes mundiais na chamada Cúpula da Paz em Gaza. Sem a participação de Israel e Hamas, o presidente dos Estados Unidos e os chefes de Estado do Egito, da Turquia e do Catar assinaram um documento para selar o cessar-fogo. O acordo define condições para a paz duradoura no Oriente Médio e prevê a implantação de um conselho para supervisionar Gaza nesse primeiro momento após o fim do conflito.
Em mais um discurso, Trump afirmou que, por anos, ouviu dizer que seria um acordo complicado, que poderia gerar uma série de problemas, inclusive a terceira guerra mundial. Mas tudo correu muito bem e todos estão felizes com isso.
O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, participou da cúpula no Egito. Ele se pronunciou por meio do vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq, e disse que o cessar-fogo em vigor dá “ao povo de Gaza e de Israel uma frágil esperança de calma após meses de devastação, e que as agências das Nações Unidas estão chegando a comunidades de Gaza em áreas que ficaram isoladas por meses, levando assistência vital.”
Entrevista: Estado palestino é saída para estabilidade em Gaza?
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