A Fundaj foi convidada para participar do próximo levantamento de dados da PeNSE
A Fundação Joaquim Nabuco realizou, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Casa Brasil IBGE Fundaj, o Seminário “PeNSE e os Desafios da Saúde Escolar: Pesquisa, Intervenção e Políticas Públicas”. O evento ocorreu na segunda-feira (26), na Sala Calouste Gulbenkian, campus Gilberto Freyre da Fundaj, em Casa Forte. Em pauta, a apresentação do resultado da pesquisa Pesquisa Nacional de Saúde do Estudante (PeNSE), realizada pelo IBGE em 2024, que apurou um panorama detalhado dos fatores de risco, proteção e condições de vida dos adolescentes brasileiros.
Com dados de todos os estados do Brasil, a pesquisa entrega dados sobre saúde mental dos estudantes, violência escolar, infraestrutura das escolas e recursos básicos. A Fundaj foi convidada para participar da próxima pesquisa do PeNSE. O seminário reuniu pesquisadores, gestores públicos e especialistas em educação e saúde para debater a aplicação prática dos resultados da pesquisa no desenho de políticas públicas direcionadas à infância e à adolescência no Brasil.
A presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar, ressaltou o caráter estratégico do evento ao colocar a saúde dos estudantes no centro da agenda pública nacional. “Estamos tratando de um tema que é objeto de políticas públicas que devem ser cada vez mais estratégicas para a própria soberania do país. Se a gente cuida do povo, nós estamos tratando do que há de mais valioso em termos de uma nação”, comentou, destacando a inauguração da Casa Brasil IBGE Fundaj, realizada em março passado, como um potencializador para análise e criação de políticas públicas.
A diretora da Dipes/Fundaj, Luciana Rosa Marques, enfatizou a importância do diálogo contínuo entre duas das mais relevantes instituições públicas de pesquisa do país. ”É muito importante que duas casas de pesquisa conversem e tenham parcerias que vão trazer novos conhecimentos, como é o caso da PeNSE”, ressaltou. A coordenadora-geral do Cecim/Dipes/Fundaj, Darcilene Gomes afirmou que os microdados da PeNSE já alimentam investigações científicas e dissertações de mestrado desenvolvidas no âmbito do ProfSócio e da Dipes.
Superintendente do IBGE em Pernambuco, Gliner Dias Alencar, reafirmou que o conhecimento produzido pelo órgão pertence à sociedade. "Toda pesquisa que o IBGE faz é com recurso da gente, com recurso de cada um de vocês, dos mais pobres ou dos mais ricos. Agradeço à Fundaj por esse espaço e por essa ampliação da divulgação", ressaltou.. Já a coordenadora da Casa Brasil IBGE do Norte e Nordeste, Márcia Carneiro, destacou que a iniciativa busca aproximar a sociedade dos dados estatísticos, desde os registros históricos até os levantamentos contemporâneos.
O professor Nathanael Silva, presidente do Conselho Estadual de Educação e secretário executivo de Articulação com os Municípios da Secretaria de Educação de Pernambuco, apontou que a produção de dados estatísticos é condição indispensável para alcançar a população em situação de vulnerabilidade.
Médico sanitarista e gerente de pesquisas especiais da Diretoria de Pesquisas do IBGE, Marco Antonio Ratzsch de Andreazzi apresentou a evolução histórica e os parâmetros metodológicos da PeNSE desde sua criação em 2009 até a edição de 2024. O pesquisador explicou que a pesquisa nasceu de uma demanda conjunta entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação no âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), inspirando-se em diretrizes da OMS para monitorar fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis.
Na programação da tarde aconteceu a mesa "Transformando a PeNSE em projetos de intervenção, pesquisas e políticas públicas" com mediação de Darcilene Gomes e as presenças de Alexandre Zarias (Fundaj), Julio Cezar Gaudêncio (UFAL), Fernanda Estelita (IBGE) e Fernanda Paes, representante do Comitê de Políticas Públicas do Grupo Mulheres do Brasil no Recife. Eles debateram sobre a importância de utilizar os dados coletados na pesquisa para fomentar trabalhos escolares e políticas públicas.
Alexandre Zarias aponta que os estudantes não são questionados sobre como se sentem em sala de aula, e que a PeNSE ajuda os adolescentes a terem noção do que se passa na escola e com os outros colegas. Fernanda Paes, representante do Comitê de Políticas Públicas do Grupo Mulheres do Brasil no Recife, ressaltou a importância dessa pesquisa nas escolas para a criação de novas políticas públicas.

