Os casos de violência contra mulheres marcaram os últimos dias em São Paulo. Na sexta-feira (28), um influenciador conhecido por postar conteúdos machistas nas redes sociais foi preso acusado de agressão contra a namorada. E na zona norte de São Paulo, um mesmo distrito policial registrou duas tentativas de feminicídio que chocaram até o delegado.
Só em outubro, o estado de São Paulo registrou 22 feminicídios. Mas essa estatística é apenas a ponta final das violências a que as mulheres estão expostas. No mesmo mês, foram mais de oito mil registros de ameaça e quase seis mil de lesão corporal.
Na última sexta-feira, o influenciador Thiago Schutz, conhecido como "Calvo do Campari", foi preso após uma queixa de agressão feita por sua companheira. Segundo o boletim de ocorrência, ela apresentava marcas no corpo e pediu medidas protetivas de urgência.
Hoje (1º), no Jaçanã, zona norte da capital paulista, uma mulher de 38 anos sobreviveu a uma tentativa de feminicídio. A delegacia que registrou essa ocorrência é a mesma que recebeu no sábado (29) outro caso de tentativa de feminicídio. No início da manhã daquele dia, um homem atropelou uma mulher com quem tinha tido um relacionamento. O ataque aconteceu após uma discussão em um bar.
A Polícia Civil recebeu imagens de câmeras de segurança e ouviu um amigo do motorista que estava no banco do passageiro no momento do crime. Essa reconstituição mostra que o homem atropelou e passou por cima da mulher com o carro. Apesar dos apelos desse amigo e de outras pessoas que viram a cena pelas ruas, ele arrastou a mulher, que estava presa à traseira do veículo, por cerca de 1 km. Quando a moça foi socorrida, já estava com as duas pernas severamente mutiladas.
O agressor foi preso na noite de ontem (30). Segundo a polícia, ele resistiu à prisão e chegou a ser baleado. O homem foi encaminhado à audiência de custódia após receber atendimento médico. De acordo com a Polícia Civil, ele tinha passagem por porte ilegal de arma.
"Uma coisa, assim, que é até difícil de olhar, a gente tem um certo tempo trabalhando com esse tipo de ocorrência, é uma coisa até que choca. E a motivação dele foi simples e puramente porque ele não aceitava um término, aquela sensação de posse, em total desprezo à condição de gênero, de mulher. Uma autêntica tentativa de feminicídio”, destacou o delegado Fernando Barbosa Bocci.
A partir deste mês, começa a ser paga a pensão especial para filhos e dependentes menores de 18 anos de vítimas de feminicídio. A informação é da Ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O decreto que cria a pensão especial foi publicado no Diário Oficial da União no fim de setembro. O benefício garante um salário mínimo mensal a órfãos com menos de 18 anos em razão do feminicídio.
O principal requisito para esse benefício é ter renda familiar mensal por pessoa igual ou inferior a 25% do salário mínimo. Os beneficiários devem estar inscritos no Cadastro Único para programas sociais do governo.
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