A Série de Debates do Cemaden promoveu palestra com o professor Ben Wisner e Ilan Kelman, especialistas internacionais sobre riscos de desastres, que debateram e responderam perguntas sobre os o panorama dos desastres em nível mundial. Os cientistas falaram sobre os resultados de processos sociais crônicos, a perpetuação de vulnerabilidades e das limitações na capacidade de responder aos riscos de desastres.
Com a temática “Compreendendo e Abordando o Risco de Desastres: Quem Fala? Quem Sofre”, no último dia 13 de outubro, Dia Internacional de Redução de Risco de Desastres, a Série de Debates do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) — unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) — promoveu palestra com os professores Ben Wisner e Ilan Kelman, acadêmicos e especialistas nas diversas abordagens sobre a compreensão do risco de desastres pela sociedade, em várias partes do mundo.
Coordenado pelo pesquisador do Cemaden, Victor Marchezini, também coordenador do Projeto “Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE)”, o debate on-line foi transmitido pelo Canal YouTube Série de Debates do Cemaden, com a participação e perguntas de estudantes pós-graduandos e pesquisadores do Projeto COPE, no Auditório do Cemaden e também encaminhadas pelo chat do canal.
Os debates e perguntas tiveram como referencial os 11 capítulos do e-book “Understanding and Addressing Disaster Risk: Who Speaks? Who Suffers?”(Compreendendo e Abordando o Risco de Desastres: Quem Fala? Quem Sofre?).
O livro também explora o componente ambiental do risco de desastres, através da lente de diferentes elementos e fenômenos naturais, incluindo processos biológicos-ecológicos e hídricos-climáticos, bem como dinâmicas geológicas e espaciais. Os palestrantes e autores explicaram a influência mútua dos diferentes componentes dos desastres e da criação de riscos de desastres, em diversas regiões do mundo.
Com base na pesquisa publicada sobre a temática, os autores demonstram que desastres não são naturais, não são eventos e não acontecem rapidamente. Em vez disso, são o resultado de processos sociais crônicos que emergem da criação e perpetuação de vulnerabilidades e limitações na capacidade das pessoas de responder a perigos.
Wisner destaca o Capítulo 9 do e-book, que contou com a colaboração do pesquisador do Cemaden, Victor Marchezini, sobre aprofundar e entender o objetivo, propósito e intenção dos tomadores de decisão nas políticas públicas.
Ilan Kelman, professor de Desastres e Saúde no University College London (Inglaterra) e professor II na Universidade de Agder, Kristiansand, (Noruega), concorda com Wisner na definição que a pressão social é dinâmica. Explica que a pessoa — sentindo-se insegura e em situação de fragilidade — toma uma decisão que pode deixá-la mais vulnerável ou menos vulnerável, dependendo das circunstâncias. Destaca que, para superarmos as limitações, deve-se utilizar todas as formas de conhecimento, unindo todas as ciências: sociais, físicas, humanas e artes.
O debate entre os palestrantes e participantes focou a importância da compreensão e abordagem sobre o risco de desastres, a ser aplicada pelos tomadores de decisão, formuladores de políticas, pesquisadores e estudantes. Com base na temática do e-book, os autores enfatizam que essa compreensão dos riscos é o caminho para quebrar o ciclo vicioso de repetição de erros já conhecidos, os quais agravam os resultados prejudiciais dos desastres.
O e-book “Compreendendo e Abordando o Risco de Desastres: Quem Fala? Quem Sofre?” está disponibilizado de forma gratuita, pelo link: https://www.taylorfrancis.com/reader/download/961658fd-92b0-4668-9073-f1a23b3c4265/book/pdf?context=ubx
O debate na íntegra está disponibilizado no Canal YouTube da Série de Debates do Cemaden pelo link:
Fonte: Ascom/Cemaden (MRO)




