Foram realizadas entrevistas com moradores do município de Cataguases (MG), os quais revelaram desafios críticos no enfrentamento à desinformação em situações de emergência. Também ocorreu um workshop na sede da prefeitura, reunindo gestores municipais e membros da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros de Cataguases (MG) para debater preparação intersetorial.
Promovido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) — unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) — a Prefeitura de Cataguases (MG) sediou o workshop do Projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE). O evento, realizado no último dia 14 de maio, reuniu representantes de secretarias municipais, agentes de defesa civil e membros do Corpo de Bombeiros para discutir estratégias de preparação intersetorial diante de eventos extremos de tempo e clima.
A atividade foi organizada pelo sociólogo e pesquisador Victor Marchezini, do Cemaden, em parceria com a Prefeitura de Cataguases. Além do workshop, a equipe percorreu bairros e distritos do município para entrevistar moradores e gestores públicos sobre percepção e comunicação de riscos.
Resultados preliminares e novos dados
O workshop serviu tanto para apresentar os avanços do Projeto COPE quanto para coletar novas informações e sugestões junto aos participantes.
Para o pesquisador Adriano Mota Ferreira — bolsista de treinamento técnico IV da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), processo 2023/16922-6 — os mapeamentos de risco precisam ser validados pelos gestores locais e usados de forma integrada entre as diferentes secretarias municipais. "É preciso debater novos usos entre os diferentes setores dos governos municipais, com vistas à interoperabilidade dos dados e informações relacionados aos mapeamentos de risco", afirma.
Desinformação: um desafio central
As entrevistas de campo revelaram um problema recorrente: a circulação massiva de desinformação durante e após desastres. A constatação veio da doutoranda Monique Ribeiro Polera Sampaio (bolsista FAPESP, processo 2024/03072-7), do Programa de Pós-graduação em Ciência do Sistema Terrestre (PGCST/INPE), jornalista que pesquisa comunicação de riscos. "As entrevistas com moradores e agentes públicos de Cataguases revelaram desafios importantes, como a presença massiva de desinformação durante e após a ocorrência de um desastre", destaca.
Pesquisadores do Projeto COPE, do Cemaden, visitam moradores do município de Cataguases, acompanhados de membros da Defesa Civil Municipal. As entrevistas de campo revelaram um problema recorrente: a circulação massiva de desinformação durante e após desastres.
Sobre o Projeto COPE
Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), (processo 2022/02891-9), o Projeto COPE integra ensino, pesquisa e extensão com o objetivo de subsidiar políticas públicas de preparação para eventos extremos. O projeto tem vigência até agosto de 2028 e adota abordagens inter e transdisciplinares - envolvendo cientistas, gestores públicos e sociedade civil - para o desenvolvimento de sistemas de alerta centrados nas pessoas.
Marchezini coordena o projeto e atua como professor nos programas de Pós-Graduação em Desastres (PGDN/ICT-Unesp/Cemaden e de Pós-graduação em Ciência do Sistema Terrestre (PGCST/INPE). A equipe conta ainda com pesquisadores do Cemaden (Giovanni Dolif, José Marengo, Luciana Londe e Silvia Saito), tecnologistas da Sala de Situação (Caroline Mourão e Tulius Dias Nery), professoras de outras instituições (Gabriela Lotta/FGV, Tatiana Sussel Mendes/ICT-Unesp e Giselly Rodrigues Gomes/Instituto dos Cegos-MT), além de João Porto de Albuquerque (Universidade de Glasgow) e Reinaldo Soares Estelles (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil).
Próximos passos
Fonte: Ascom/Cemaden




