Em cenário de aumento de caso de câncer de próstata, aquisição é acerto de gestão


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Treinamento com o Da Vinci.Fotos: Igor Matos.
O Centro de Treinamento e Pesquisa em Robótica do INCA, o primeiro do Sistema Único de Saúde (SUS) voltado à formação e certificação em cirurgia robótica, integrando ensino, pesquisa e assistência, foi inaugurado na segunda-feira, durante o evento de celebração do Novembro Azul, mês de conscientização sobre a saúde do homem e prevenção do câncer de próstata.
O Centro é o único do SUS com certificação reconhecida pela fabricante Intuitive, o que garante a formação oficial de cirurgiões especializados. A expectativa é formar 15 novos profissionais por ano, com dupla titulação em sua área médica e em cirurgia robótica.
O novo robô Da Vinci XI, equipamento com três consoles cirúrgicos e um simulador de realidade virtual SIM Now – que permite o treinamento de cirurgiões em ambiente seguro e realista –, faz com que o Instituto amplie sua capacidade de formação médica e pesquisa aplicada.
O chefe do Serviço de Urologia e coordenador da Cirurgia Robótica, Franz Campos, explicou que desde 2012, o INCA é pioneiro na realização de cirurgias robóticas no SUS, com mais de 2.050 procedimentos realizados em especialidades como Urologia, Ginecologia, Cabeça e Pescoço, Abdômen e Tórax.
Franz Campo citou pesquisas nacionais e internacionais para informar que “30% dos tumores se localizam na próstata. Em 15 anos, o número de cânceres de próstata vai dobrar”. O País registra 7.153 casos por ano, “60% de alto risco”. Tudo isso demonstra o acerto na aquisição do robô.
Já o diretor-geral do INCA, Roberto Gil, destacou o papel do INCA “na incorporações [tecnológicas] que interessem ao cidadão, e não a grupos econômicos”
“Junto com financiamento é preciso haver um olhar de gestão envolvendo a população”, disse a cientista social e ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, ao lembrar que, quando assumiu a pasta, descobrira que havia recursos para o Centro, mas faltava vontade política para a implementação.
Estudo inédito
Franz Campos apresentou ainda projetos de pesquisa voltados à detecção precoce e ao comportamento biológico do câncer de próstata, desenvolvidos com o apoio do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).
Entre as iniciativas está o projeto de caracterização genética de pacientes brasileiros com câncer de próstata, que utiliza sequenciamento genômico completo para identificar mutações somáticas relacionadas à doença. A pesquisa abrange três grupos de pacientes: homens com hiperplasia prostática (sem câncer), com câncer de baixo grau e de alto grau, estudo inédito em abrangência e metodologia no País.
Capacitação e segurança
A cirurgia robótica permite ao cirurgião realizar movimentos com maior precisão e ampliar o campo visual em até dez vezes. Por ser um método minimamente invasivo, reduz o risco de complicações, a dor e o tempo de internação, além de diminuir os custos hospitalares, favorecendo a recuperação e os resultados clínicos dos pacientes.
O Centro garante ainda que novos cirurgiões sejam capacitados de forma completa, com prática supervisionada e simuladores de realidade virtual que reproduzem procedimentos complexos com segurança.
Franz Campos, chefe da Urologia do INCA
Com o Centro de Diagnóstico do Câncer de Próstata, que realiza 3.000 biópsias transretais da próstata sob sedação anestesiológica, o Instituto acumulou 13 anos de experiência em prostatectomia robótica, técnica recentemente aprovada para incorporação no SUS.
“Precisamos encurtar o caminho para o homem [que precisa de tratamento para câncer de próstata] dentro do Ministério da Saúde”, defendeu Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida e idealizadora, em 2014, da campanha Novembro Azul.
Além de Marlene Oliveira, Nísia Trindade e Roberto Gill, também estiveram presentes na mesa de abertura Rodrigo Oliveira, diretor do Departamento de Estratégias para a Expansão e Qualificação da Atenção Especializada do Ministério da Saúde; e os deputados federais Welinton Fernandes Prado e Jandira Feghali.
