O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou hoje (25) os vencedores do Prêmio Jovem Cientista 2025. Com o tema "Resposta às Mudanças Climáticas", os projetos premiados uniram ciência e conhecimento ancestral para criar soluções que reduzem impactos ambientais e também que melhorem a qualidade de vida das comunidades que vivem em regiões mais sensíveis aos efeitos do clima.
A pesquisa vencedora na categoria Ensino Superior foi desenvolvida por Manuelle Pereira, estudante do Instituto Federal do Amapá. Ela substituiu os geradores a óleo diesel, usados pelos extrativistas de castanha, por equipamentos de energia solar, uma solução prática e sustentável. O projeto contou com a participação dos próprios trabalhadores.
“Receber esse prêmio é uma confirmação de que a pesquisa que a gente realiza na Amazônia tem, sim, um grande valor. Representa a minha comunidade, quem eu sou, os extrativistas da castanha da Amazônia, e também fala muito da minha trajetória como estudante e cientista”, afirmou Manuelle.
Já na categoria Ensino Médio, o ganhador foi Raul Victor Magalhães. Ele desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial para previsão meteorológica baseada nos saberes tradicionais dos Profetas da Chuva do Vale do Jaguaribe, no Ceará. Segundo o jovem pesquisador, o modelo tradicional apresentava 30,8% de erro, enquanto a IA criada por ele reduziu esse índice para 5,8%.
“O Raul de 2024 não imaginaria ganhando esse prêmio, e hoje em dia eu estou aqui ganhando esse prêmio de extrema relevância e pelo qual eu sou muito grato”, comemorou Raul.
Elizângela Aparecida dos Santos foi a vencedora na categoria Mestre e Doutor. Em 2014, ela iniciou uma pesquisa que identificou os municípios mais vulneráveis e os mais resilientes às mudanças climáticas no Brasil. O levantamento mostrou que as cidades mais resistentes aos efeitos do clima tinham características em comum, como maior adoção de práticas agrícolas sustentáveis.
“É uma mistura de sentimentos, né? Entre gratidão, mas também responsabilidade. Gratidão porque, quando a gente vê que nossa pesquisa – no meu caso que foi iniciada lá em 2014 – hoje, sendo reconhecida por um prêmio de grande relevância, é uma felicidade extremamente confortável”, destacou Elizângela.
Na 31ª edição do prêmio, os vencedores receberam bolsas do CNPq e valores em dinheiro que variam de R$ 12 mil a R$ 40 mil. O impacto social foi um dos principais critérios que levaram esses projetos ao reconhecimento.
“Para você mobilizar, despertar novos talentos e mobilizar os talentos existentes, as premiações são muito, muito importantes. Porque as pessoas, na carreira científica, não estão esperando formar uma grande fortuna. Pode até ter um ou outro que venha a formar uma grande fortuna, mas elas querem ter o seu trabalho reconhecido. E para isso o prêmio é muito importante”, enfatizou Olival Freire Júnior, presidente substituto do CNPq.
Compartilhar:




