Começou em Salvador, nesta segunda-feira (13), o júri popular de dois dos seis acusados pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete. O crime, que chocou o país, aconteceu em 2023, dentro do quilombo Pitanga dos Palmares, na região metropolitana da capital baiana, quando ela foi executada a tiros dentro de casa.
Segundo as investigações, a morte teria sido encomendada por um chefe do tráfico de drogas da região. Mais de 2 anos depois, o caso chega ao julgamento.
Dia 17 de agosto de 2023 - Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, é morta com 25 tiros, dentro de casa, onde também estavam três netos dela, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Bahia. Ialorixá e referência na luta quilombola, Mãe Bernadete buscava justiça para o filho Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, assassinado em 2017. A morte de Mãe Bernadete ganha imediata repercussão nacional e internacional. O caso é classificado por entidades como um ataque grave aos direitos humanos.Ainda em agosto de 2023, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), determina que as investigações sobre a morte de Mãe Bernadete e seu filho sejam acompanhadas pelo Observatório das Causas de Grande Repercussão, colegiado formado pelo CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério Público.
As investigações avançam e concluem que Mãe Bernadete foi executada porque se posicionou de maneira firme contra a expansão do tráfico de drogas na região. Cinco suspeitos de participar do crime são presos e seis homens são denunciados pelo Ministério Público. Arielson da Conceição Santos e Josevan Dionísio dos Santos são suspeitos de ter participado diretamente da execução. Marílio dos Santos é apontado como autor intelectual e chefe do grupo criminoso responsável pela morte de Mãe Bernadete. Sérgio Ferreira de Jesus é suspeito de roubar os celulares da líder quilombola e de familiares. Carlos Conceição Santiago teria armazenado as armas utilizadas no crime e Ydney Carlos dos Santos de Jesus teria auxiliado no plano.
Em fevereiro de 2026, a União e o estado da Bahia firmam acordo de indenização com família de Mãe Bernadete, como forma de reconhecer a gravidade do caso e reafirmar o compromisso do poder público com a dignidade humana. Os valores pagos são confidenciais. Agora, dois denunciados pelo assassinato vão a júri popular: Arielson e Marílio, que está foragido. Os outros denunciados estão presos e serão julgados posteriormente.
Compartilhar:
