Debate aborda papel da ciência no fortalecimento das políticas públicas de ação climática
Oficina sobre diplomacia científica reuniu, em Brasília (DF), representantes de 15 países das Américas Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
08/08/2025 18h34
Atualizado em 08/08/2025 18h37
Márcio Rojas, coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Fotos: Daniel Kazeil (ASCOM/MCTI)
Participaram do workshop representantes de 15 países
Diplomacia científica pode fortalecer ações climáticas
José Marengo, pesquisador do Cemaden
Pedro Ivo, do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores (MRE)
Bráulio Ferreira de Souza Dias, diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA),
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O papel da ciência no fortalecimento de políticas públicas em prol do desenvolvimento sustentável e do combate à mudança do clima foi debatido durante o painel “Diplomacia Científica Rumo à COP30: Clima, Sustentabilidade, Biodiversidade” realizado nesta sexta-feira (08), em Brasília (DF).
O tema faz parte da programação do workshop ‘Introdução à Diplomacia Científica para o Desenvolvimento Sustentável: Prioridades Regionais da América Latina rumo à COP30’, que reuniu formuladores de políticas, cientistas e representantes de setores produtivos de 15 países com o objetivo de fortalecer a diplomacia científica como uma estratégia para enfrentar desafios globais complexos.
O evento promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Centro de Diplomacia Científica do Instituto Latinoamericano para Pesquisa em Mudança do Clima (IAI) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), integra os diálogos para a Conferência do Clima, que será realizada em novembro, em Belém (PA). A partir da perspectiva de diplomacia cientifica, devem ser efetuadas recomendações estratégicas para identificar prioridades e construção de propostas regionais.
Ao apresentar o papel do MCTI na agenda climática, o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas, enfatizou a relevância da interface entre ciência e políticas públicas diante dos desafios globais cada vez mais complexos. “Temos o papel de fomentar pesquisas na fronteira do conhecimento sobre mudança do clima no Brasil, de modo que o conhecimento gerado possa ser utilizado como subsídio para a tomada de decisão”, destacou. O trabalho também envolve a necessidade de informar e popularizar o conhecimento gerado para que a sociedade se aproprie das informações, esteja bem-informada a partir de informações íntegras com relação à mudança do clima.
O coordenador exemplificou como a partir de dois grandes projetos de pesquisa, Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) e o Programa AmazonFACE, que contam com cooperação internacional de Alemanha e Reino Unido, respectivamente, desencadearam outras colaborações e iniciativas. “A diplomacia científica nos permitiu avançar em outras direções, construindo um ciclo virtuoso de sinergias”, disse.
Sistemas de alertas antecipados - O coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo, abordou a relevância de os dados científicos serem utilizados para ações preventivas de desastres.
Segundo ele, no Brasil e na América Latina os desastres são, na sua maioria, climáticos, relacionados às chuvas ou à seca. Contudo, a vulnerabilidade e a exposição é que determinam os impactos. “A chuva não mata. A chuva mata as pessoas que estão vivendo em áreas de vulneráveis”, exemplificou. De acordo com a Base Internacional de Dados sobre Desastres, em 2023, enchentes e tempestades foram a principal causa de mortes relacionadas a desastres na América Latina e no Caribe. Seguido de deslizamentos de terra em decorrência de chuvas.
Para o pesquisador, o aumento do acesso aos sistemas de alerta antecipados é passo fundamental para o trabalho de prevenção a desastres.
Não basta produzir ciência de excelência - O diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Bráulio Ferreira de Souza Dias, enfatizou a necessidade de melhorar a interação entre ciência e políticas. Segundo ele, entre os aspectos de melhoria estão a valorização dos cientistas, que ainda não recebem o devido reconhecimento pela atuação e colaboração com governos e empresas. Por outro lado, Dias afirmou que ainda há resistências e preocupação por parte dos pesquisadores para que essas colaborações aconteçam. O receio é de que a independência seja afetada. “Algumas universidades já venceram essa etapa e estabeleceram regras. Precisa engajar mais”, afirmou.
Na avaliação do diretor, outro aspecto que necessita avançar é a forma de comunicar a ciência para a sociedade. Além de produzir ciência de excelência e que ofereçam soluções aos problemas, há barreiras de acesso a esse conhecimento. “Produzir artigos e relatório não é suficiente. As pessoas dão atenção se houver relação com a vida cotidiana”, resumiu.
Regimes internacionais ambientais - O coordenador de assuntos científicos e tecnológicos do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e ponto focal do Brasil para o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), Pedro Ivo Ferraz da Silva, apresentou a relação entre a diplomacia e a ciência. Silva enfatizou que a ciência é pilar central dos regimes internacionais ambientais. "Eu ousaria dizer que os regimes internacionais ambientais só existem por causa da ciência. Se não fosse a ciência para mostrar as evidências da mudança do clima, para mostrar que o problema está se agravando e uma direção como combater, não teríamos condições, no âmbito político, de tomar as decisões necessárias para enfrentar esse desafio”, afirmou. É o caso da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), criada em 1992, como resultado dos dados do IPCC, fundado em 1988.
Silva também mencionou a importância de espaços de debate e colaboração sobre ciência climática em fóruns internacionais, como o BRICS, que oferecem espaço para debates e colaboração sobre problemas comuns aos países em desenvolvimento. “É um dos espaços, talvez seja um aspecto do BRICS não seja tão conhecido, mas o que mais tem avançado. “Vejo o BRICS como um espaço essencial para ter debate sobre ciência climática”, disse.
Categoria Ciência e Tecnologia




