A Operação "Compliance Zero" da Polícia Federal, que voltou a fazer buscas, na terça-feira (27), na casa do ex-governador do Rio, Cláudio Castro. As investigações apontam um vínculo estreito entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, que permitiu a captação de quase R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência para o Banco Master.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, cita que a relação entre o ex-governador Cláudio Castro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não se limitou a contatos institucionais. Eles mantinham encontros frequentes, em ambientes privados e até mesmo no exterior. Tudo custeado por Vorcaro.
Conversas no celular do banqueiro revelam que a liberação de determinados investimentos para o Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, vinham do alinhamento com o ex-governador do estado. O esquema ainda teve Ricardo Siqueira Rodrigues como captador e lobista, que teria recebido R$ 22 milhões para articular o elo entre Cláudio Castro e Vorcaro.
Ontem, a PF fez buscas nos endereços do ex-governador Cláudio Castro e de quatro membros da alta cúpula do Rioprevidência. Segundo a decisão do STF, esses nomes foram escolhidos com o propósito de facilitar os aportes no Banco Master.
A alteração na alta gestão do Rioprevidência ocorreu entre julho e outubro de 2023, como mostram nomeações no Diário Oficial. Após essas nomeações, em outubro de 2023, começam os aportes de R$ 970 milhões em letras financeiras do Master. Entre 2024 e 2025, quando entraves regulatórios dificultaram a continuidade desses investimentos, o grupo aplicou mais de R$ 2 bilhões em fundos estruturados do Banco Master, constituídos para contornar as restrições. Somadas, as aplicações atingiram quase R$ 3,7 bilhões no Master.
Segundo a decisão, os agentes públicos e o ex-governador do Rio formaram uma organização criminosa estruturada.
A defesa do ex-governador Cláudio Castro negou a relação pessoal com Daniel Vorcaro, assim como a realização de viagens custeadas pelo banqueiro. Informou também que Castro não conhece Ricardo Siqueira Rodrigues e não participou de decisões técnicas do Rioprevidência. E que todos os investimentos realizados pelo fundo seguiram fluxos técnicos, jurídicos e administrativos próprios da autarquia.
O Rioprevidência informou que está à disposição das autoridades. E que tem adotado medidas saneadoras e que fortalecem o compliance interno e a segurança dos investimentos.
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