Democratas dos Estados Unidos criticaram o plano do governo de Donald Trump de conceder visto a Flávio Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado aos democratas, comparou o tratamento previsto para Flávio Bolsonaro à política migratória dos Estados Unidos em relação a pessoas que fogem de conflitos: “Não há asilo para pessoas que fogem da guerra do Sudão ou do conflito no Haiti, mas Marco Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar o resultado das eleições, sim.”
Políticos democratas também publicaram críticas nas redes sociais à possibilidade de asilo. Em uma postagem, o candidato democrata ao Congresso pelo Texas, Isaiah Martin, escreveu: “O passaporte de Flávio Bolsonaro foi apreendido. Ele é um imigrante ilegal e criminoso. O contribuinte americano agora vai pagar a conta para proteger sua família criminosa e suas viagens de jato por todo o país. Tudo isso enquanto Trump diz que não tem dinheiro para nossa saúde. Patético. Os democratas devem cortar o financiamento de tudo relacionado a isso depois das eleições de meio de mandato e colocar os Bolsonaros em primeiro lugar na lista de deportação quando Trump sair do poder!”.
O deputado Joaquin Castro também questionou a possibilidade de Flávio obter asilo nos Estados Unidos: “Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo. No entanto, o governo Trump está dando refúgio seguro a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No Brasil, ele é investigado por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação de câmbio, e teve seus passaportes devolvidos por ordem judicial. O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil, em violação da lei brasileira”.
Ao ser questionado por um repórter nesta madrugada, Trump afirmou que teria aprovado a entrada de Flávio nos Estados Unidos e voltou a criticar, sem provas a eleição brasileira. Trump afirmou que conhece Lula e que tem menos proximidade com Flávio, mas disse conhecer bem o pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro que, segundo ele, foi tratado muito mal.
Trump voltou a sustentar que não tomou partido na disputa brasileira, embora tenha criticado o resultado e questionado a ampliação do horário de votação no segundo turno. Na segunda-feira (26), ele já havia dito que a eleição pareceu fraudada, sem apresentar evidências para sustentar a afirmação.
A cobertura da imprensa internacional destacou que a saída de Flávio do país se deu após a derrota eleitoral e o descumprimento da ordem de entregar os passaportes. O jornal britânico The Guardian noticiou a fuga após a derrota eleitoral e, na atualização de hoje, a chegada do avião a Miami, após passagem pela Argentina e pelo Equador.
O americano New York Times informou a saída rumo aos EUA e a previsão de concessão de visto. Relacionou o episódio à ordem para entregar os passaportes. O também americano Washington Post destacou a concessão de visto pelos Estados Unidos.
O La Nación, da Argentina, destacou a confirmação da passagem pela Argentina e levantou suspeitas de colaboração do governo Milei, citando a presença de um alto funcionário do governo, em Misiones, de onde o avião partiu para o Equador e em seguida para os Estados Unidos. O site Infobae, que foi o primeiro a noticiar a fuga, detalhou a viagem de avião, a escala em Guayaquil e a rota que evitaria o Brasil. Também publicou a versão da imigração argentina de que a família entrou com documentos válidos e sem impedimento para ingressar no país.
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