A inclusão de estudantes negros e indígenas teve importantes avanços nas últimas décadas, mas as desigualdades ainda persistem em todos os níveis de ensino. Em São Paulo, pesquisadores do tema debatem o que tem funcionado e o que ainda precisa melhorar para garantir o direito à educação de qualidade para todos.
A professora Márcia Lima, da Universidade de São Paulo (USP), pesquisa como é o acesso da população negra à educação. Segundo ela, nas últimas décadas as conquistas foram muito importantes. “No Brasil, hoje, criança de 7 anos entra na escola. Eu acho que isso é um é avanço muito significativo. A gente tem um avanço também muito importante, que foi a conclusão, o acesso e conclusão do ensino médio. Quando a gente começa as políticas de ações afirmativas, a gente tem uma demanda muito grande de acesso ao ensino superior, justamente porque a gente avançou na conclusão do ensino médio”, diz Márcia Lima.
Apesar dos avanços, pesquisadores concordam que os desafios ainda são muitos. As desigualdades raciais continuam presentes em todas as etapas da educação. Do ensino fundamental à universidade.
Pesquisadores e diversas entidades voltadas à educação se reuniram em São Paulo para apresentar as principais barreiras que ainda dificultam a educação de pessoas negras. Da educação infantil até o ensino médio, estudantes negros e indígenas têm menos acesso a escolas com estrutura mínima e a professores com formação adequada. Na educação de jovens e adultos, a maioria dos alunos é jovem e negra, reflexo de uma trajetória de exclusão. E no ensino superior, a distribuição da oferta de instituições públicas ainda dificulta o acesso da população negra.
As pesquisas apontam para a necessidade de aperfeiçoar as políticas públicas de equidade racial na educação. “Acesso à creche, à pré-escola no Brasil, esse não é universal. As escolas com menos estruturas, com professores menos preparados estão nas regiões onde tem mais pessoas negras e são vários centros de pesquisa que se dedicam a essa pauta, né? E estamos apresentando evidências empíricas do que melhorou e do que precisa melhorar”, completa a professora Márcia Lima.
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