Um relatório da Agência Lupa publicado nesta quinta-feira (15) mostra que o foco da desinformação mudou nas eleições deste ano. Segundo a pesquisa, cresceram os conteúdos enganosos destinados a promover candidatos ou desgastar adversários.
O levantamento da agência Lupa analisou 310 afirmações entre o início da campanha, em 16 de agosto, e o primeiro turno, no dia 4 de outubro. O estudo reúne checagens de declarações de atores políticos e verificações de conteúdos que circularam nas redes sociais. Os números mostram uma mudança importante: as falsas alegações sobre regras de votação caíram de 21% em 2022 para menos de 4% em 2026. Já as que colocam em dúvida a integridade do sistema eleitoral recuaram de 23% para 7,5%.
Apesar dos dados indicarem o aumento da confiança sobre o sistema eleitoral, o pesquisador da Lupa Maiquel Rosauro pede cautela na análise dos dados. “Primeiro, eu quero ver qual vai ser o resultado do segundo turno e, principalmente, qual vai ser o comportamento dos eleitores após o resultado. A partir disso, a gente vai ter certeza ou não se essa confiança, ela passa desse segundo turno e passa dessas eleições. Eu espero que sim”, afirma ele.
Por outro lado, cresceram os conteúdos enganosos para promover candidatos ou atacar adversários políticos. Dos 80 conteúdos virais que circularam nas redes sociais verificados pela Lupa, 21% eram em apoio ou rejeição a um dos candidatos. A proporção de posts enganosos promovendo ou atacando candidatos supera as eleições de 2022 e 2018. A inteligência artificial também entrou nesse cenário. Em 2026, 19% envolveram material produzido ou alterado por IA. São imagens manipuladas e falas atribuídas falsamente a candidatos.
“O grande problema, hoje, é que a IA tá cada vez mais realista e tá cada vez mais difícil da gente, os checadores, conseguir identificar se aquele material é falso ou não”, destaca o pesquisador.
O relatório também alerta para o uso de informações fora de contexto. Em 2026, 24% das declarações checadas receberam essa classificação, quase o mesmo percentual daquelas consideradas falsas. O desafio agora é identificar não só o que é inventado, mas também o que pode induzir o eleitor ao erro.
“A gente tem visto este aumento em conteúdos das redes sociais onde geralmente é pego algum dado e ele é completamente desatualizado, ou, por exemplo, pegam uma frase de um candidato que ele disse anos atrás e é colocado aquele vídeo como se fosse hoje, ou seja, completamente sem contexto. E como é que a gente analisa isso? Com muita calma, sabe? O que pode, o que a gente pode fazer, o que a gente pode sugerir para os eleitores é não sair compartilhando qualquer coisa que eles vejam nas redes sociais”, sugere Rosauro.
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