“Olhar para a participação social é um desafio para os próximos anos. Não é possível ter tantos canais e ainda assim as mulheres trazerem a fala de que não são ouvidas. O Fórum das Mulheres na Saúde é estratégico exatamente porque cria a possibilidade de escuta ativa”, apontou Sandra Kennedy.
Neste dia, a secretária Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, destacou o protagonismo feminino na construção do SUS e comentou sobre os encaminhamentos do Fórum de Mulheres na Saúde, realizado no último dia 25 de maio, em Belém (PA).
O Fórum realizado em Belém faz parte de uma agenda que vem sendo executada em todos os estados, com o objetivo de discutir políticas públicas para as mulheres na saúde e fortalecer o movimento social. Participaram representantes da sociedade civil, secretarias estaduais e municipais de mulheres, além do Ministério da Saúde, que atua em conjunto com os conselhos de saúde. “O Fórum se constitui como um espaço estratégico de diálogo e articulação para o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres, sendo fundamental para a construção de uma agenda transversal e integrada entre governo e sociedade civil”, destacou a organização do evento.
Ela também ressaltou que todas as conquistas no campo da saúde para as mulheres derivam da concepção do SUS e que, embora haja muito a avançar, é preciso também reconhecer os passos já dados. “O encontro de Belém trouxe pontos muito específicos. A redução da morte materna e a humanização do parto foram centrais. O ministro da Saúde Padilha tem falado sobre a indústria da cesárea e a privatização da saúde, que fragilizam a gestão pública. Precisamos enfrentar essas questões estruturais”, explicou.
“O Fórum das Mulheres na Saúde é estratégico porque cria a possibilidade de escuta ativa. Olhar para a participação social é um desafio para os próximos anos”, avaliou Sandra Kennedy. O evento em Belém integra uma agenda nacional, realizada em todos os estados, com participação da sociedade civil, secretarias estaduais e municipais de mulheres, Ministério da Saúde e conselhos de saúde.
O Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher foi definido no IV Encontro Internacional Mulher e Saúde, ocorrido em 1984, na Holanda, durante o Tribunal Internacional de Denúncia e Violação dos Direitos Reprodutivos, ocasião em que a morte materna apareceu com toda a sua magnitude. A partir dessa data, o tema ganhou maior interesse e, no V Encontro Internacional Mulher e Saúde, realizado em São José, na Costa Rica, a Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe (RSMLAC) propôs que, a cada ano, no dia 28 de maio, uma temática norteia ações políticas voltadas à prevenção de mortes maternas evitáveis. A data visa conscientizar sobre os direitos à saúde integral, combater a mortalidade materna e garantir acesso a serviços de qualidade.
Entre os temas emergentes, a saúde mental ganhou destaque. As mulheres relataram forte relação entre sofrimento psíquico e a sobrecarga da jornada de trabalho. Como avanço, a secretária citou a nova estratégia do SUS de ofertar cuidado em saúde mental por meio de psicoterapia e teleatendimento, algo inédito na rede pública.
“Isso é motivo de comemoração neste dia de luta. As mulheres lideraram também a redução da jornada de trabalho”, completou. Outro ponto levantado no Fórum foi a efetividade dos mecanismos de participação social. Apesar de existirem conselhos de saúde (municipais, estaduais e nacional) e 12 fóruns temáticos no Ministério das Mulheres (de pescadoras, quilombolas, sindicalistas, LGBTQIA+, entre outros), muitas mulheres ainda relatam não se sentir ouvidas na avaliação das políticas públicas.
No Fórum, que reuniu mulheres indígenas, quilombolas, com deficiência, periféricas, cientistas e trabalhadoras, foram debatidos temas como: a redução da morte materna e humanização do parto; saúde mental, com destaque para a nova estratégia do SUS de psicoterapia e teleatendimento; sobrecarga de trabalho e sua relação com o sofrimento psíquico; a participação social, que apesar de existirem conselhos de saúde e 12 fóruns temáticos no Ministério das Mulheres, ainda há desafios para que as mulheres se sintam efetivamente ouvidas.
Origem da data
Sandra Kennedy destacou o protagonismo feminino na construção do Sistema Único de Saúde (SUS) e anunciou os encaminhamentos do Fórum de Mulheres na Saúde, em Belém (PA). “As mulheres sempre são protagonistas das lutas por conquista de direitos. No campo da saúde, não foi diferente. A construção do SUS, uma política universal e gratuita, contou com a participação fortíssima das mulheres, especialmente nos anos 80, durante a 8ª Conferência Nacional de Saúde”, afirmou a secretária.
“As mulheres sempre são protagonistas das lutas por conquista de direitos. No campo da saúde, a construção do SUS, uma política universal e gratuita, teve participação fortíssima das mulheres, sobretudo na década de 80”, afirmou a secretária.
Nesta quinta-feira (28) é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher. Diferente de uma data meramente comemorativa, mas uma data de caráter de mobilização, conscientização e reivindicação por melhores condições de saúde para as mulheres em todo o mundo. A data também é marcada pelo Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.





