Pesquisadora da Fundaj alerta sobre a emergência climática
O planeta não envia alertas sobre um futuro distante. Ele fala através das secas prolongadas, das ondas de calor mais intensas, dos eventos extremos e da degradação dos ecossistemas que já afetam milhões de pessoas em todo o mundo.
Ao escolher as mudanças climáticas como tema do Dia Mundial do Meio Ambiente 2026, o PNUMA reforça uma realidade incontornável: a emergência climática já está em curso. E seus impactos não são distribuídos igualmente. Eles atingem com maior intensidade populações vulnerabilizadas, territórios historicamente marginalizados e regiões mais expostas às transformações ambientais.
No Brasil, essa realidade se manifesta de forma particularmente intensa no Semiárido e na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas e aos processos de desertificação. A redução da disponibilidade hídrica, a degradação dos solos e a perda de biodiversidade afetam não apenas os ecossistemas, mas também os modos de vida, os conhecimentos e as estratégias de convivência construídas por gerações de povos e comunidades do Semiárido.
A crise climática não é apenas um problema ambiental. Ela expressa as formas como organizamos a vida em sociedade, ocupamos os territórios, distribuímos riqueza e poder e nos relacionamos com a natureza. Por isso, enfrentar as mudanças climáticas exige também enfrentar desigualdades e construir caminhos de justiça ambiental e climática.
É nesse contexto que a Jornada da Terra 2026, promovida pela Fundação Joaquim Nabuco, convida a sociedade a refletir sobre os desafios do presente e os futuros que estamos construindo coletivamente. Entre suas atividades, o seminário "Caatinga em Disputa: Ciência, Território e Justiça Ambiental diante da Desertificação" coloca no centro do debate a importância estratégica da Caatinga para a biodiversidade, a segurança hídrica, a soberania alimentar e a adaptação climática.
Os sinais da Terra são claros. A questão já não é se as mudanças climáticas estão acontecendo, mas como responderemos a elas.
🌵 Cuidar da Caatinga é cuidar do Semiárido.
🌱 Cuidar do Semiárido é fortalecer a justiça climática.
🌎 Cuidar da Terra é uma tarefa do presente.
Por Edneida Cavalcanti, pesquisadora e coordenadora-geral do Centro de Estudos em Dinâmicas Sociais e Territoriais (Cedist) da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco
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