A semana que teve uma fileira de corpos sobre o asfalto em uma comunidade no Rio de Janeiro, teve também reações sobre a forma como as autoridades de segurança combatem ou tentam combater o crime. Enquanto isso, a discussão invade o debate político. Os peritos seguem o trabalho de identificação dos mortos no que foi chamado de uma megaoperação.
A equipe do Repórter Brasil segue aqui no Instituto Médico Legal (IML). Durante todo o dia, uma grande movimentação no local. Isso porque as famílias vão em busca de informações e também saber quando esses corpos serão liberados.
Os peritos do IML devem seguir trabalhando durante todo o fim de semana. Os dados oficiais ainda falam em 121 mortos e 113 detidos. Os números foram apresentados durante coletiva de imprensa na Cidade da Polícia do Rio de Janeiro, pelo secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos, e o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi. Do total de 117 suspeitos mortos, 99 foram identificados. Desses, 78 tinham anotação criminal relevante e 42 tinham mandados de prisão pendente. Além disso, 40 eram de outros estados. Dos 113 presos, 54 tinham anotações criminais. Todos passaram por audiência de custódia e tiveram prisão preventiva decretada.
De acordo com a polícia, os complexos da Penha e do Alemão funcionavam como um centro de controle do Comando Vermelho para todo o Brasil, recebendo criminosos de outros estados, que aprendiam no Rio de Janeiro a cultura da facção.
“São nos complexos da Penha e do Alemão que são feitos treinamentos de tiro, tática de guerrilha, manuseio de armamento, cooptação desses marginais, que vêm de fora do estado para serem “formados aqui” e depois retornarem aos seus estados de origem para a implementação da cultura da facção nesses estados de origem”, destacou Felipe Curi, secretário de Polícia Civil do Rio.
Dois policiais civis e dois militares também morreram durante a operação. Os corpos já foram enterrados.
Mais cedo também hoje (31), especialistas da ONU divulgaram uma nota em que falam estar extremamente preocupados com essa operação no Rio de Janeiro. Eles cobraram do governo brasileiro uma responsabilização e também uma investigação independente: "Homicídios ilegais devem ser investigados de forma imediata, independente e minuciosa". A nota pede ainda que se cessem todas as operações com ações de força e que se cesse a violação dos direitos humanos.
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