O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, marcou para daqui duas semanas, no dia 14 de abril, o interrogatório do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No processo, Eduardo é acusado de interferir e tentar obstruir o julgamento do ano passado da tentativa de golpe. O vídeo de Eduardo no último final de semana, em uma conferência nos Estados Unidos, foi anexado a esse processo.
Morando nos Estados Unidos há mais de um ano, Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo foram acusados pela Procuradoria-Geral da República de coação. Numa tentativa de pressionar o Judiciário no processo que condenou Jair Bolsonaro como líder da tentativa de golpe de estado.
O caso está ligado aos ataques feitos pelo governo norte-americano às instituições brasileiras e contra ministros do STF, no contexto do tarifaço promovido por Donald Trump.
Em setembro do ano passado, Moraes, ao aceitar a acusação, citou a não submissão a pressões externas ilegítimas e disse que Eduardo Bolsonaro tentou constranger, com o uso de ameaças, o funcionamento do Poder Judiciário, atingindo a soberania nacional. A pena de coação é de 1 a 4 anos de prisão.
Nesse mesmo processo, o ministro Alexandre de Moraes anexou aos autos um vídeo de Eduardo em uma conferência no último final de semana. No evento, o ex-deputado disse que estava gravando seu discurso para mostrar ao pai. O caso pode configurar descumprimento de medida cautelar, fazendo com que Jair Bolsonaro volte a cumprir pena no Complexo da Papuda.
Na segunda-feira (30), Eduardo gravou um vídeo acusando Moraes de criar uma narrativa mirando a atuação política dele. Já a defesa de Jair Bolsonaro alegou ao STF que não há nenhum dado objetivo que comprove que ele teve acesso ao vídeo.
A data do interrogatório de Eduardo, 14 de abril, foi definida após ele ser formalmente citado via Diário Oficial, já que o endereço dele é desconhecido e não foi apresentada defesa dentro do prazo estabelecido. A Defensoria Pública da União (DPU), foi intimada para acompanhar o interrogatório, garantindo assistência jurídica ao ex-deputado.
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