O número de eleitores jovens, com idade até 24 anos, caiu mais de 20%, nos últimos dezesseis anos. O levantamento é da Nexus, com base nos dados do TSE, e aponta que, no Brasil, o eleitorado mais jovem teve uma queda de mais de 5 milhões de pessoas.
Sofia tem 21 anos. Ela vai votar nessas eleições. “Quem vai governar o país determina muita coisa da sua realidade, a forma como você vai viver. Não só de coisas pequenas, como o preço da passagem, enfim… mas coisas grandes como a economia do país, que é muito importante a gente estar inteirado sobre esse tipo de coisa”, destaca ela.
A população brasileira está envelhecendo e isso se reflete também no eleitorado do país. Ao longo de 16 anos, o número de jovens aptos a votar teve uma forte queda. No mesmo período, o número de eleitores idosos aumentou.
Em 2010, na faixa etária de 16 a 24 anos, eram quase 25 milhões de eleitores. Agora são cerca de 19 milhões. Uma redução de 22% ou 5,5 milhões de eleitores jovens a menos no período. Já o número total de pessoas aptas a votar, incluindo todas as idades, passou de quase 136 milhões em 2010 para cerca de 159 milhões agora. Uma alta de 17%.
Os jovens, que em 2010 representavam 18% dos eleitores, hoje representam 12,5%. Já o número de pessoas acima de 60 anos aptas a votar saltou para cerca de 37 milhões de pessoas, representando 23% do eleitorado.
“A gente não pode se eximir dessa responsabilidade. Então eu vou votar. Difícil escolha, mas eu vou votar”, afirma Domingos Melero, farmacêutico.
Nas eleições de 2022, a taxa de comparecimento do eleitorado mais jovem nas urnas foi de 79%. Já na faixa de 60 a 69 anos, quando o voto ainda é obrigatório, o comparecimento foi de cerca de 86%.
“O levantamento em si não comprova isso, mas é uma forte hipótese de uma certa descrença de uma parcela do eleitorado jovem em relação à política, de maneira geral, e em relação às eleições. O jovem vê o influenciador crescendo rápido, ganhando fama, ganhando dinheiro; e ele, se quiser entrar na política, na mobilização estudantil, o processo é muito mais lento”, constata Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
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