Em Brasília, ministro da Secom/PR, Sidônio Palmeira, lamentou discursos de ódio contra o indigenista e o jornalista assassinados em 2022 e reafirmou o compromisso com o enfrentamento ao crime organizado na Amazônia
Durante a cerimônia de homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips, realizada nesta quarta-feira, 11 de junho, em Brasília, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Sidônio Palmeira, apresentou um pedido de desculpas, em nome do Estado brasileiro, às famílias dos dois defensores da Amazônia pelos discursos difamatórios e de ódio proferidos contra eles no contexto de seu desaparecimento e assassinato, em 2022.
A retratação foi um compromisso assumido pelo Estado brasileiro junto à Comissao interamericana de direitos humanos no ambito da OEA.
Em sua fala, o ministro também ressaltou o legado de Bruno e Dom na defesa dos povos indígenas, do meio ambiente e da democracia, e reafirmou o compromisso do Governo do Brasil com os direitos humanos, a liberdade de imprensa e o enfrentamento ao crime organizado na Amazônia. Discurso ocorreu no evento de premiação do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação.
Confira o discurso do ministro na íntegra:
Hoje é um dia MUITO especial.
Estamos homenageando duas pessoas pelo trabalho que fizeram, mas também pelo que representam. Bruno e Dom são exemplos de trabalho pelo povo brasileiro, de enfrentamento aos privilégios, às desigualdades e ao crime organizado, suas ramificações nas instituições e ligação com os poderosos.
Ninguém que esteja nessa agenda terá uma vida tranquila. E há gente disposta a colocar a vida em risco para impedir a exploração ilegal do país. Nosso papel é honrar essas pessoas e trabalhar pela sustentabilidade, dignidade, justiça e prosperidade compartilhada do povo do Brasil, em sua diversidade.
A comunicação pode ajudar a alcançar esses objetivos. E sabemos da dificuldade de trabalhar em desagrado aos que querem a exploração parasita do Brasil e suas riquezas.
Por isso, a SECOM tem trabalhado para a construção de um concurso que valoriza o jornalismo e a liberdade de expressão. A sustentabilidade do jornalismo deve ser objeto de política pública para prover o direito à informação do povo brasileiro, para oferecer diferentes visões sobre os fatos e, principalmente, para que cidadãos não sejam enganados por quem atua apenas em causa própria.
Temos muitos FATOS e DADOS para demonstrar o trabalho de reconstrução do governo do Brasil. Encontramos terra arrasada, trabalhamos e mostramos resultado. Reduzimos em 99% as novas áreas de garimpo na Terra Indígena Yanomami.
Quando chegamos, em 2023, escutamos da sociedade civil, de órgãos públicos brasileiros e do Sistema Interamericano de Direitos Humanos que havia violações a serem combatidas e reparadas. Isso pautou nossas ações.
Dom Phillips e a Bruno Pereira realizavam um trabalho fundamental no Vale do Javari. O governo do Brasil trabalha para honrar esse esforço - ao combater o crime organizado na Amazônia e ao proteger defensores de direitos humanos, comunicadores e ambientalistas.
Por isso, temos a tranquilidade e legitimidade de pedir desculpas pelos discursos difamatórios e de ódio que foram proferidos contra ambos no contexto do seu desaparecimento e morte em 2022.
Dom Phillips foi assassinado enquanto atuava como jornalista para chamar a atenção para os sérios desafios da região - que não estavam sendo suficientemente enfrentados àquela época. No mesmo sentido, Bruno Pereira teve de se licenciar da FUNAI para seguir no apoio aos povos daquela região.
Pudemos contar com o povo. Os povos indígenas da região tiveram papel fundamental na busca e localização dos corpos; o jornalismo local e a comunicação popular e comunitária apuraram e difundiram informações verdadeiras sobre o caso.
A cerimônia de hoje é fruto do compromisso do Estado brasileiro com os direitos humanos e para honrar o trabalho de Bruno e Dom em defesa do meio ambiente, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.
Ainda não chegamos aonde queremos, mas estamos ao lado do povo brasileiro nessa direção.


