Começou a valer hoje (3) o embargo da União Europeia a produtos brasileiros de origem animal. Com isso, o Brasil deixa de ter autorização para vender ao mercado europeu carne bovina, de frango e suína. Produtos como ovos, pescado e mel também fazem parte dessa restrição.
A limitação restringe as exportações aos 27 países do bloco europeu e ocorre durante uma disputa aberta sobre as regras de controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária. Só no mês de julho, as exportações de carne bovina e carne de frango para a União Europeia somaram US$ 140 milhões, cerca de R$ 715 milhões, o equivalente a 3% do total do valor das exportações brasileiras ao bloco.
Segundo a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária, a CNA, a medida da União Europeia tem caráter protecionista e pode afetar os negócios com outros parceiros comerciais.
Bruno Lucchi (diretor técnico da CNA): "Não é de hoje que a União Europeia tem adotado práticas protecionistas, haja vista as questões ambientais, as questões voltadas a resíduos e outras normas que só aumentam a burocracia, onerando o produtor rural brasileiro. Nós tínhamos 15 mil fazendas habilitadas a exportar carne bovina para a Europa no passado; hoje não chegam a 1,5 mil. E não só o impacto direto na economia brasileira, mas principalmente na imagem da proteína animal brasileira. Nós temos um sistema sanitário robusto, que exporta para mais de 150 países de longa data. E, nesse momento que a Europa faz um questionamento como esse, coloca em xeque toda essa credibilidade e atrapalha os negócios com outros países."
Ontem, o bloco europeu informou que está fazendo uma auditoria na produção de frango e mel no Brasil. Depois disso, o resultado deve passar por uma avaliação das autoridades europeias.
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a Abiec, disse que vê com preocupação a interrupção e que esforços estão sendo concentrados na reinclusão do Brasil entre os países aptos a exportar para o bloco, uma vez que as garantias oficiais do Ministério da Agricultura já foram apresentadas.
O governo brasileiro vem afirmando que há décadas atende às regras dos mercados importadores e que já detalhou à União Europeia os mecanismos oficiais de fiscalização e todas as garantias em relação às cadeias produtivas abrangidas pela restrição.
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