Uma espécie invasora tem avançado pelo litoral brasileiro e acendido um alerta entre pesquisadores e pescadores. O peixe-leão ameaça a biodiversidade marinha, coloca em risco espécies nativas e pode provocar acidentes dolorosos em quem trabalha no mar.
No Rio Grande do Norte, um projeto de pesquisa aposta na informação e até em um torneio de captura do animal para tentar conter essa invasão. A reportagem é da UERN TV, emissora da rede.
Uma espécie invasora tem vivido nas águas do litoral brasileiro. Esse é o peixe-leão, que causa preocupação para os pesquisadores da vida marinha.
Emanuelle Rabelo (professora da Ufersa): "O peixe-leão chegou na costa do Nordeste em 2020. Em 2022, já estava no Rio Grande do Norte. E, por ser um animal que não é da nossa fauna, ele não tem predadores naturais. E se reproduz de forma acelerada e é muito resistente ao ambiente, resistente a parasitas. E esse conjunto de características dele faz com que ele seja um excelente animal para invadir o ambiente e causar prejuízos no meio ambiente. Então, ele se alimenta da fauna nativa, ele é um animal que se adapta a profundidades rasas, a áreas mais profundas, a ambientes de pedra, a ambientes de recifes artificiais. E, como não tem predadores e tem uma reprodução acelerada, ele está acelerando a dispersão dele ao longo da nossa costa brasileira."
Com tantas condições favoráveis, o peixe tem modificado o ecossistema natural da costa do país e representa um novo risco para a saúde de quem trabalha no mar. Os cuidados em caso de acidente pelo contato com o peixe-leão são específicos e muito importantes, principalmente quando se está em alto-mar.
João Paulo (médico): "Primeira coisa é sair da água, ir para o barco. Esquentar uma água — água morna, não é água fervente, água morna. Molha um pano e envolve o local do acidente, porque o calor inativa a toxina do veneno. Após isso, procurar um atendimento médico, seja numa UPA, num hospital, numa UBS."
O projeto de pesquisa Peixe-Leão na Costa Potiguar, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), monitora a atividade dessa espécie no mar do estado. O grupo é responsável por promover o Torneio de Caça ao Peixe-Leão, que visa restaurar o equilíbrio ambiental e conscientizar os pescadores sobre a espécie. Os primeiros locais de capacitação foram a praia de Ponta do Mel, em Areia Branca, e também no município de Porto do Mangue.
O torneio de caça ao peixe-leão no litoral do Rio Grande do Norte é o primeiro da modalidade a ser feito no Brasil. O próximo destino de capacitação é em Rio do Fogo, que fica a 72 km da capital do estado. Pelos próximos três meses, os pescadores vão capturar o peixe e entregar para as pesquisas universitárias.
Conhecer o peixe e entender todo o risco que ele representa, tanto para a vida marinha no país quanto para a atividade pesqueira, é a chave para tentar minimizar as consequências dessa invasão.
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