Termina nesta terça-feira (31) o prazo dado pelo Banco Central para que o Banco de Brasília divulgue o balanço financeiro. O documento deve trazer as soluções encontradas para cobrir o prejuízo causado pelos negócios com o Banco Master. Entre 2023 e 2024, o BRB adquiriu cerca de 12 bilhões de reais em créditos considerados irregulares do Master.
O balanço com o resultado de 2025 e do primeiro trimestre deste ano não foi entregue. O BRB não apresentou nenhuma solução para o rombo no Master, e o Banco Central também não prorrogou o prazo para essa prestação de contas. Com isso, a situação financeira do BRB segue desconhecida.Todo banco é obrigado, por lei, a divulgar os números do ano anterior, e o Banco Central usa essas informações para verificar se a instituição está saudável ou em risco. Em outras palavras, o balanço pode mostrar se o BRB segue normal ou se precisa de medidas urgentes, como uma intervenção.
Esses demonstrativos financeiros do BRB não são divulgados há 9 meses. Não se sabe, por exemplo, se a instituição tem dinheiro em caixa, se registrou prejuízo, se enfrenta problemas de liquidez, dificuldade para pagar clientes ou até mesmo se possui reservas de segurança. Por isso, o banco pode ser punido pelo Banco Central.
Esse silêncio prejudica a imagem do BRB, gera desconfiança e aumenta os riscos para o sistema bancário, para investidores e até para os correntistas.
E isso tem relação com o envolvimento no caso do Banco Master, já que o BRB adquiriu mais de R$ 12 bilhões em carteiras com problemas, e parte desse dinheiro não foi recuperado.
O governo do Distrito Federal está atuando para tentar cobrir esse prejuízo. Algumas alternativas já foram propostas, como a venda de ativos e um empréstimo de 4 bilhões de reais junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dando, por exemplo, imóveis como garantia.
Um desses imóveis fica na Serrinha do Paranoá, uma área ambientalmente sensível, responsável pelo abastecimento de água para várias regiões do DF.
A Serrinha do Paranoá é um refúgio do Cerrado em meio à ocupação urbana por todos os lados na capital do país. Ela abriga mais de cem nascentes. Foi a própria comunidade que vive nas chácaras da região quem fez o mapeamento do circuito das águas e quem preserva a vegetação.
A área foi colocada à venda pelo GDF como garantia para empréstimos do Banco de Brasília. Em seguida, a Justiça do DF suspendeu o uso da área alegando impactos ambientais. Por fim, um desembargador reverteu a decisão e liberou a Serrinha para os negócios do BRB. Há muito tempo a área é cobiçada pelo mercado imobiliário, o que não faz sentido para essa professora da Universidade de Brasília, que estuda a Serrinha há cerca de 20 anos.
A exploração da área pode comprometer o abastecimento de água em várias regiões do DF.
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