Está em vigor a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC, Primeiro Comando da Capital, e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, classificou a medida como um equívoco por parte dos governo norte-americano.
Segundo especialistas, a decisão ameaça a soberania brasileira, prejudica a economia e pode até atrapalhar as investigações sobre o crime organizado. Há também quem avalie que a medida não deve reduzir os delitos praticados pelas organizações.
No Brasil, a classificação não tem efeito jurídico. As duas facções continuarão sendo investigadas e processadas como organizações criminosas. Mesmo assim, empresas e pessoas podem ser punidas nos Estados Unidos por supostas relações com integrantes dos grupos. Isso pode ocorrer, por exemplo, se uma empresa for usada para lavar dinheiro do crime organizado ou se uma instituição financeira ajudar a movimentar recursos suspeitos.
Dados da Polícia Federal mostram que, entre janeiro de 2022 e maio de 2026, integrantes do Comando Vermelho e do PCC responderam por 88% das prisões preventivas e temporárias cumpridas pela instituição nesse tipo de investigação. No mesmo período, 81% das operações tiveram como alvo uma dessas duas organizações.
Além das facções, o pix também está na mira dos Estados Unidos, que consideram o meio de pagamento brasileiro um concorrente desleal. A polêmica aumentou após declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que defendeu um mecanismo semelhante ao pix, mas norte-americano: o Zelle.
Segundo o escritório do representante de comércio dos Estados Unidos, o Brasil daria tratamento preferencial ao pix de forma injusta e discriminatória. O relatório do governo Donald Trump, que pode subsidiar medidas contra o país, aponta prejuízos para empresas de pagamento eletrônico dos EUA, como Mastercard, Visa e WhatsApp Pay.
Com estudos iniciados em 2016 e lançamento oficial pelo Banco Central no fim de 2020, o pix caiu no gosto dos brasileiros. Só em maio, foram movimentados quase R$ 3 trilhões em mais de sete bilhões de transações. A ferramenta, gratuita, rápida e disponível 24 horas por dia, tornou-se praticamente indispensável para grande parte da população.
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