Para a coordenadora do programa de Consumo Responsável e Sustentável do Idec, é essencial garantir que o desenvolvimento ocorra dentro de um vetor socioambiental, para evitar que isso seja apenas mais um fator de aumento das desigualdades. Júlia Catão destacou que os data centers têm um consumo energético absurdo. “Uma planta em São Paulo consome o equivalente a toda a Região Metropolitana de Brasília”, afirmou.
Cristiana Camarate, superintendente de Relações com Consumidores da Anatel, destacou os avanços do país na superação dos desafios de conectividade. Ela mencionou que 4.300 municípios já são atendidos por redes de fibra óptica. Ressaltou a importância de iniciativas como a expansão da internet na Amazônia por meio de cabos subfluviais com tecnologia nacional que garantiu conectividade sustentável preservando aproximadamente 68 milhões de árvores. Essa iniciativa beneficiará cerca de 10 milhões de pessoas, cerca de 50% da população da região Norte. No entanto, Camarate alertou que um dos maiores desafios atuais é elevar o nível de habilidade digital da população, garantindo que todos os cidadãos possam se beneficiar plenamente das novas tecnologias e que a Anatel tem atuado com distintos atores para enfrentá-lo.
A pesquisadora Yasodara Cordova enfatizou a necessidade de ir além da conectividade básica, capacitando as pessoas não apenas como consumidoras, mas também como produtoras e empreendedoras no ambiente digital. "A conexão e a inclusão são o primeiro passo. Mas é essencial garantir que os dados estejam acessíveis e seguros, além de promover uma educação inclusiva, sustentável e empreendedora", afirmou.
O diretor da Huawei destacou que a empresa tem trabalhado no Brasil para expandir a conectividade. Ele afirmou que um dos entraves para tornar o país um hub global de infraestrutura é a falta de mão de obra qualificada. “O Brasil forma 50 mil engenheiros por ano, enquanto a China forma de 20 a 30 vezes mais. Para que possamos dar vazão a esses projetos, precisamos também estar atentos à formação da mão de obra local”, destacou Motta.
A mesa contou com a participação do assessor especial do Ministério da Fazenda, Igor Marchesini Ferreira; do diretor de Cibersegurança e Soluções da Huawei, Marcelo Motta; do presidente da Elea Data Centers, Alessandro Lombardi; e da coordenadora do programa de Consumo Responsável e Sustentável do Idec, Júlia Catão Dias.
O presidente da Elea Data Centers ressaltou que o que torna um país atrativo para o mercado de Inteligência Artificial é a energia. “Além da energia, é preciso ter máquinas com capacidade para o processamento de dados”, frisou. Ele destacou que, além de ser caro importar esses equipamentos, a América Latina como um todo investe muito pouco em pesquisas sobre IA, comparada ao restante do mundo.
Romero Guimarães, conselheiro consultivo e moderador do painel, destacou a urgência de programas educacionais robustos para reduzir o déficit educacional digital. "Não basta apenas conectar as pessoas. É preciso incluí-las no mundo digital, sob o risco de que sejam excluídas do mercado de trabalho e até da vida social", disse. Ele defendeu a implementação de iniciativas de larga escala para enfrentar essas disparidades.
O painel reforçou a importância de políticas públicas e investimentos em infraestrutura, formação de mão de obra e sustentabilidade para que o Brasil possa se consolidar como um polo global de data centers e impulsionar o desenvolvimento econômico de forma equilibrada e inclusiva.
Alessandra Lustrati, chefe de Desenvolvimento Digital do Governo do Reino Unido, compartilhou experiências internacionais e apontou que países com desafios semelhantes aos do Brasil enfrentam problemas relacionados a modelos de negócio e preços de conexão. Ela destacou a importância de uma atuação regulatória para promover concorrência e reduzir custos, especialmente em áreas rurais. Lustrati também elogiou o avanço brasileiro no uso de satélites, mas reforçou a necessidade de atenção aos preços acessíveis e à expansão de redes comunitárias como alternativas viáveis e sustentáveis.
Marchesini explicou que o tema traz desafios importantes, tanto positivos quanto negativos. “O primeiro ponto é garantir que tenhamos uma regulação no Brasil moderna e alinhada, compatível com a tecnologia”, frisou o assessor do Ministério da Fazenda. Ele relatou que 60% da carga digital do Brasil está rodando fora do país. “Fomos investigar por que isso acontece e verificamos que é 30% mais caro fazer isso no Brasil do que no exterior”. Segundo ele, a reforma tributária vai resolver parte desse problema, e outras medidas estão sendo tomadas para aumentar a competitividade do Brasil nesse mercado.
No painel foram debatidos os desafios e oportunidades na ampliação do acesso à internet no Brasil, com foco em inclusão social, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico.
Painel Infraestrutura Pública Digital: Atratividade para Data Centers e Desenvolvimento Econômico
O painel Infraestrutura Pública Digital: Atratividade para Data Centers e Desenvolvimento Econômico reuniu diferentes atores para debater como tornar o Brasil um hub global de infraestrutura. O debate foi mediado pelo conselheiro do Conselho Consultivo da Anatel, Fabrício da Mota Alves.
O painel reforçou a importância de uma abordagem multifacetada para a expansão da infraestrutura digital, combinando inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e inclusão social. Os participantes concordaram que, sem investimentos em educação digital e políticas públicas eficazes, o risco de exclusão digital continuará a ser uma barreira significativa para o desenvolvimento do país.
Painel "Conectividade Sustentável: Estratégias para Expansão da Infraestrutura Digital com Inclusão e Sustentabilidade”



