Exposição documental e mostra de cinema marcam celebrações dos 117 anos de Josué de Castro na Fundaj
Exibidas nesta segunda-feira (29), no Derby, mostras documental e audiovisual resgatam legado do médico, geógrafo, cientista social e escritor pernambucano Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
02/10/2025 18h13
Em celebração dos 117 anos de Josué de Castro, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em parceria com o Centro Josué de Castro, inaugurou, na segunda-feira (29), uma exposição documental e realizou uma mostra de cinema em homenagem ao médico, geógrafo, cientista social e escritor pernambucano. Promovidas pela Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundaj, por meio do Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira (Cehibra) e do Cinema da Fundação, tanto a exposição “Josué, Cidadão do Mundo” quanto a mostra “Margens e imagens de uma Cidadania Ambiental” ocuparam o campus Ulysses Pernambucano, no bairro do Derby, com documentos e obras que evidenciam o legado do autor de “Geografia da Fome”.
A inauguração da exposição contou com a presença da presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar; do subsecretário de Planejamento e Orçamento da Secretaria Executiva do Ministério da Educação (MEC), Adalton Rocha de Matos; do chefe do Gabinete da Presidência da Fundaj, Amaro Barbosa; do diretor da Dimeca, Túlio Velho Barreto, da coordenadora em Exercício do Cehibra, Veronilda Barbosa, e da coordenadora do Centro de Documentação e Pesquisa (Cdoc/Cehibra), Sylvia Couceiro, e do presidente do Centro Josué de castro, Arlindo Soares. Também prestigiaram a abertura da mostra o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque, o secretário estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, Daniel Coelho; e o deputado estadual e ex-prefeito do Recife João Paulo.
Este é o primeiro ano em que setembro, mês de aniversário de Josué de Castro, é celebrado institucionalmente na Fundaj. A ideia, de acordo com Túlio Velho Barreto, diretor da Dimeca, é realizar atividades relacionadas ao geógrafo a cada ano para além da exposição documental e mostra de cinema realizada em 2025. “No ano que vem, certamente faremos uma exposição, porque são mais de 30 mil itens no acervo, e um seminário em torno do pensamento de Josué de Castro”, conta.
No mesmo sentido, José Arlindo Soares lembra a tradição de duas décadas da instituição em celebrar tanto o aniversário do seu patrono quanto a sua própria criação. “Estamos realizando uma parceria com a Fundaj que, neste ano, está apresentando uma pequena mostra de cartas importantes trocadas com personalidades políticas da época e alguns documentos pessoais, o que é muito bom para trazer para a juventude a figura de um pernambucano que foi cidadão do mundo”, disse.
Inaugurada na Sala de Leitura Nilo Pereira, a exposição conta com curadoria dos historiadores Sylvia Couceiro e Gustavo Rollnic, da Fundaj, e reúne documentos originais, com destaque para fotografias, obras literárias, pertences e registros oficiais que jogam luz a diferentes aspectos da vida e obra do intelectual. Os itens compõem uma coleção com 30 mil documentos variados — entre livros, fotografias, mapas, gravuras, recortes de jornais e objetos pessoais — pertencentes ao arquivo Josué de Castro, salvaguardado pelo Cehibra desde 2011.
Já no seu próprio título, a mostra documental “Josué, Cidadão do Mundo” ressalta também a importância do trabalho de Josué de Castro pelo combate à insegurança alimentar no cenário global. Em vida, o pernambucano acumulou vários reconhecimentos internacionais, incluindo o Prêmio Internacional da Paz e seis indicações ao Prêmio Nobel da Paz, além de ocupar cargos como presidente do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e embaixador-chefe do Brasil junto à ONU.
Segundo Sylvia Couceiro, a seleção dos itens expostos focou num pequeno recorte do acervo, não apenas em função da quantidade de itens e do trabalho de catalogação, mas na tentativa de aproximar o público de documentos originais do pensador. “Nesse momento em que a gente vive tanto tempo atrás das telas de computador e celular, o que a gente quer é proporcionar essa experiência e mostrar às pessoas os documentos pessoais do acervo Josué de Castro”, explica. “Josué, Cidadão do Mundo” segue em exibição na Sala de Leitura Nilo Pereira até 17 de outubro de 2025, com visitação aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
Mostra de cinema
O Cinema da Fundação também recebeu parte da programação em homenagem a Josué de Castro com a mostra audiovisual “Margens e imagens de uma Cidadania Ambiental”, que celebra o impacto e legado do pensador na compreensão da insegurança alimentar e sua relação com o meio ambiente. Com curadoria de Camilo Soares, cineasta e professor de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o evento lotou a Sala Derby com duas sessões especiais.
A Sessão Estuário prestou homenagem ao cineasta Silvio Tendler com a exibição de seu filme “Josué de Castro, Cidadão do Mundo”, que documenta a vida e as contribuições do intelectual nas discussões sobre insegurança alimentar. Foram exibidos quatro curtas-metragens de bolsistas do projeto de extensão Cine Interação UFPE, que tratam de temas como pertencimento, racismo ambiental e o ecossistema que ocupa a capital pernambucana: “A recusa do rio”, de Mamede Silva; “Cidadão Calango”, de Guga Betanin; “Mares de Sabedoria”, de Marjorie Louise; e “A Cidade que o Mar Vai Levar”, de Gileade Marques.
Em seguida, foi apresentada a Sessão Foz, com exibição de “Água Capital – Recife”, documentário de Marcelo Pedroso que apresenta as dificuldades no acesso e a luta por água potável em Pernambuco. Ainda explorando as questões sociais abordadas na obra de Josué de Castro, a sessão exibiu os curtas-metragens “Os Homens do Caranguejo”, de Ipojuca Pontes; “Das Águas”, de Tiago Martins Rêgo e Adalberto Oliveira; “Sertão 2138”, de Deuilton Barbosa Júnior; e “O Mar que Habita em Mim”, de Luara Olívia.
Para o curador da mostra, a relação entre meio ambiente, sociedade, política e economia é indissociável e, explorar isso no audiovisual, é necessário. “A gente pensa que o cinema pode servir como ferramenta de conscientização porque, além de [a mostra] tratar de todos esses temas, ele mexe com a sensibilidade e levanta todos esses problemas de uma forma mais complexa”, explica Camilo Soares.
Categoria Divulgação
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