53 horas e 30 minutos semanais conectados. É o tempo que o brasileiro fica navegando na internet de acordo com o Relatório Internacional Digital 2026 Brasil, que mostrou também que, dentro desse tempo, 29 horas semanais é o tempo que o brasileiro fica conectado às redes sociais. Um lugar que, comumente, as fake news são disseminadas.
De acordo com a professora e doutora em Informação e Mídia, Marialina Cógo, a desinformação existe desde que o mundo é mundo e combatê-la pode estar no exercício da desconfiança. O negócio é checar.
“A gente, enquanto sociedade, tem que aprender a treinar a descobrir onde é que tá a informação, qual que é a verdade daquilo que tá chegando até nós. Então, saber as fontes, que fontes que a gente pode confiar e lembrar que a gente tem a tendência, né, isso já tá cientificamente comprovado também, de acreditar mais naquilo que a gente já tem uma prévia predisposição a acreditar”, explica Marialina Cógo.
“Em ano de eleição, as fake news se espalham ainda mais. “Pesquisas estão mostrando que as redes sociais têm influenciado o resultado das eleições, não só no Brasil, no mundo inteiro. Então, isso é muito importante. Agora a gente tem inteligência artificial, a gente tem algoritmo trabalhando de uma forma que a gente não entende direito. Então, é muito importante que, quando a gente receba uma informação, a gente vá atrás de entender se aquela informação é, de fato, verdadeira de que maneira ela tá sendo divulgada, por quem”, destaca a professora.
Para discutir e analisar a questão da desinformação nas redes, um seminário aconteceu na Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
“A radicalização política, o extremismo, a polarização e a desinformação, ela se tornou um dos principais produtos de certos segmentos dessas plataformas digitais, em especial as chamadas plataformas publicitárias, na medida em que as plataformas entenderam que quanto mais radicalizado, quanto mais desinformativo o conteúdo, maior o engajamento”, explica o professor Pablo Ornelas.
Quem estuda a comunicação já há algum tempo entende que uma regulamentação precisa ser colocada em prática nesse ambiente.
“Nas redes sociais digitais, as pessoas perderam esse limite. Acham que porque está ali escondido atrás de uma tela ou de um codinome, podem qualquer coisa. Não, não podem. E isso não é só para as redes sociais, mesmo a televisão, o rádio... Essa discussão sobre a regulamentação das mídias a gente já vem travando há muito tempo. E sempre mostrando que não tem nada a ver com censura e sim com uma participação da sociedade, pensando no bem das outras pessoas”, afirma Edgar Rebouças, professor da UFES.
Só que nem só de coisas ruins vive a internet. A Fernanda, que faz parte do coletivo Levante Popular da Juventude, destacou como a ferramenta propaga e aproxima o coletivo da sua luta.
“É muito importante a gente olhar olho no olho, mas as redes sociais, elas são mais uma ferramenta para a gente conseguir expressar o que a gente está fazendo e que busque também, né, as pessoas que têm o interesse, busquem a gente. Não adianta a gente fazer se outros jovens não forem proliferar isso, sabe? Então, foi a partir das redes sociais que a gente começou, efetivamente, a se expandir no território brasileiro”, pontua Fernanda.
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