Primeiro dia de programação marcou o início de uma jornada comemorativa que se estende até março e reafirma a reconstrução institucional da Fundação
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) deu início, na segunda-feira, 15 de dezembro, às celebrações de seus 50 anos com uma programação que reuniu balanço institucional, anúncios de novos mecanismos de fomento, assinatura de parceria estratégica e uma homenagem à música brasileira. As atividades, realizadas no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro (RJ), marcaram o começo de uma jornada comemorativa que se estende até março de 2026.
“São 50 anos de história e de muitas histórias. Grande parte das experiências, projetos e iniciativas que moldaram a cultura brasileira passaram por aqui. A Funarte é, há cinco décadas, um espaço de pensamento, articulação, fomento e ética. Celebrar esse marco é transformar memória em direito”, afirmou a presidenta da Funarte, Maria Marighella. “Estamos às vésperas de entregar a Política Nacional das Artes, porque um Brasil soberano é um Brasil das artes. Nenhuma política pública se consolida sem participação e sem partilha”.
Ao abordar os 50 anos da Funarte, Maria Marighella destacou a trajetória da instituição na defesa de direitos e no fortalecimento das artes como política pública. A presidenta ressaltou o processo atual de reconstrução institucional, a retomada das instâncias coletivas de participação e a centralidade da Política Nacional das Artes (PNA), cujo texto-base, intitulado Brasil das Artes, foi elaborado pelo Grupo de Trabalho coordenado pela Funarte e que se encontra em tramitação. Nesse contexto, anunciou que, em março, como parte das comemorações, será realizado um encontro que marca a retomada dos setoriais de artes no âmbito do Ministério da Cultura, em diálogo com o Sistema Nacional de Cultura, que prevê sistemas setoriais e sistemas de fomento.
Maria Marighella também destacou o Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, já em sua segunda edição, como um marco na mudança de paradigma do fomento, ao reconhecer a centralidade das experiências coletivas e continuadas. Citou ainda a reativação do Centro de Documentação e Pesquisa da Funarte (Cedoc) e o Programa Funarte Memória das Artes, lembrando a parceria com o Itaú Cultural na realização da Ocupação Grande Othelo, mostra que celebra o legado de Sebastião Bernardes de Souza Prata, cujo acervo está sob guarda do Cedoc desde 2008.
O diretor-executivo da Funarte, Leonardo Lessa, enfatizou a missão institucional da Funarte e a importância de alinhar programas e ações às atribuições da Fundação, dando um panorama de entregas da gestão.
Às 17h, a programação seguiu com a pré-estreia da cinebiografia “A Noite de Alaíde”, dirigida por Liliane Mutti, sobre a cantora Alaíde Costa. A exibição foi seguida de um pocket show da artista, depois acompanhada por Caio Prado. Alaíde emocionou o público ao interpretar canções de Dalva de Oliveira, em um momento que reuniu autoridades, artistas e público geral. Além dos ex-presidentes da Funarte Guti Fraga e Antônio Grassi, estiveram presentes diversas autoridades e personalidades das artes e da cultura brasileira.
O encerramento do dia ocorreu às 19h, com o lançamento oficial das comemorações dos 50 anos da Funarte, em cerimônia que contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da presidenta da Fundação. O evento celebrou também o retorno da Funarte ao Palácio Gustavo Capanema, reaberto após nove anos fechado, e contou com a presença do movimento Ocupa MinC RJ, que teve papel central na defesa da cultura do Brasil. Na ocasião, foi entregue à ministra a medalha da Ordem do Mérito concedida ao Ocupa MinC pelo Ministério da Cultura, para ficar sob a guarda da Fundação, como um símbolo de lutas e conquistas que são coletivas.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a importância da Funarte na consolidação das políticas culturais e lembrou sua própria trajetória ligada a projetos históricos da Fundação, como o Circuito Pixinguinha. Ressaltou ainda o significado da resistência cultural e da reconstrução institucional após um período de desmonte, afirmando que a retomada da Funarte à sua sede histórica representa um marco simbólico e político para o campo das artes.
“É importante reconhecer as pessoas, olhar no rosto e dizer o quanto elas são fundamentais para a construção do país. É uma alegria poder estar aqui, administrando, conduzindo e realizando esta homenagem. Celebramos 50 anos de uma trajetória que se consolida neste governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sempre fortaleceu a política cultural e artística no Brasil, reconhecendo a cultura como um direito do povo brasileiro”, afirmou a ministra.
O primeiro dia de celebrações reuniu representantes do poder público, parlamentares, artistas, servidores, gestores culturais e agentes do campo artístico, compondo uma constelação diversa de trajetórias e lutas. As comemorações se estendem até março, com anúncios e atividades que reafirmam o papel da Funarte como instituição estruturante das políticas públicas para as artes no Brasil.




