Fundacentro reflete sobre futuro institucional e da SST de forma sustentável
Instituição comemorou 58 anos de existência em outubro de 2024 Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
05/11/2024 18h12
A busca de um futuro sustentável em segurança e saúde do trabalhador e da trabalhadora guiou as discussões da celebração dos 58 anos da Fundacentro, em 21 de outubro deste ano. O evento trouxe a apresentação de pesquisas de servidores, mesa coordenada pela Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO) e depoimentos de gestores e parceiros institucionais.
A necessidade de concurso público para a Fundacentro e a importância da instituição também estiveram em pauta. “As transformações em SST para o Brasil vieram com a Fundacentro, que tem a missão de difundir conhecimento. Tudo isso se deve aos nossos servidores e servidoras. Que essa entidade passe a outras gerações. Importantíssima para o trabalho e para o mundo”, avalia o presidente José Cloves da Silva.
Segundo dados da Coordenação-Geral de Gestão Corporativa, apresentados pela coordenadora Vânia Gaebler, a Fundacentro conta com 142 servidores ativos com vínculo e em exercício na instituição e oito cedidos. Dos 142 agentes públicos, 23,78% têm acima de 60 anos, 39,16% possuem entre 51 e 60 anos, 27,27% entre 41 e 50 anos e apenas 9,79% menos de 40 anos.
“Eu acompanho a reconstrução tanto da Fundacentro quanto da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do estado de São Paulo. Ainda falta concurso porque sem o capital humano não se sustenta”, alerta o superintendente da SRTE/SP, Marcus Alves Mello.
Outros parceiros institucionais destacaram a importância da instituição. “O trabalho da Fundacentro é fundamental para que possamos desenvolver nosso trabalho”, aponta o vice-procurador chefe do Ministério Público do Trabalho de São Paulo, João Felipe Sabino. “A Fundacentro é uma parceira da CGSAT, porque há projetos e agendas em comum, considerando a política nacional de saúde do trabalhador e da trabalhadora”, completa a representante da Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador, do Ministério da Saúde, Glaucia Moraes.
Desenvolvimento Sustentável
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável esteve em pauta na mesa coordenada pela RBSO e, segundo o editor executivo Eduardo Garcia, relaciona-se ao dossiê temático Desenvolvimento Sustentável e Saúde do Trabalhador, que aceita submissões de artigos até 20 de dezembro.
Durante as apresentações, o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcos Hecksher, falou sobre o oitavo objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS) - Trabalho Decente e Crescimento Econômico – e o monitoramento de indicadores sobre ele no Brasil. Existem 18 ODS, retratados por publicações do Ipea.
Hecksher destacou avanços na redução da proporção de jovens sem emprego, educação ou formação e na tomada de medidas para erradicar o trabalho análogo à escravidão e o trabalho infantil. Entre os desafios, elencou a necessidade de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) per capita em proporções maiores do que a média mundial, alcançar e sustentar ganhos de produtividade e sustentar a melhora recente em indicadores de emprego.
A pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Luciana Londe, abordou a relação entre desenvolvimento sustentável e saúde do trabalhador a partir das premissas de redução de riscos e desastres. Uma das ações apresentadas por ela foi o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo relatório do IPCC, de 2023, os principais riscos para América do Sul e Central são: insegurança hídrica; efeitos severos à saúde devido ao aumento de epidemias, principalmente de doenças transmitidas por vetores; degradação de recifes de corais; insegurança alimentar devido a secas frequentes ou extremas; danos à vida e às infraestruturas causados por inundações, deslizamentos de terra, aumento do nível do mar, ressacas marítimas e erosão costeira.
A pesquisadora ainda apresentou como funcionam os níveis de alerta do Cemaden e como gerenciar desastres, com etapas de prevenção, mitigação, preparação, recuperação e resposta em um ciclo contínuo de gestão de risco e gerenciamento de desastres.
Pela Fundacentro, o tecnologista Daniel Bitencourt apresentou a palestra - Frente às Mudanças Climáticas, teremos Desenvolvimento Sustentável nos Processos de Trabalho? Ele mostrou que mesmo para os cenários mais otimistas, ocorre elevação da temperatura e dos valores do IBUTG (Índice de Bulbo Úmido e Temperatura de Globo) no Brasil. Na relação entre calor e produtividade no trabalho, a capacidade de trabalho físico é diminuída.
O Programa de Mudanças Climáticas e Segurança e Saúde no Trabalho, da Fundacentro, reforça a importância de três ações básicas: treinamento, que possibilite empregadores e trabalhadores a identificar previamente os riscos; planejamento, com conhecimento e tecnologia para atenuar e eliminar os riscos no ambiente de trabalho; e organização, com protocolos de prevenção. Mais detalhes podem ser vistos no folheto Mudanças climáticas e segurança e saúde no trabalho.
Entre trabalhos realizados, Bitencourt citou o ensaio Trabalho a céu aberto: passado, presente e futuro sobre exposição ocupacional ao calor, publicado na RBSO. A Fundacentro tem outras publicações sobre o risco calor, como: o guia de orientações gerais Exposição ao calor em trabalhos a céu aberto, o folheto Riscos do calor no trabalho a céu aberto: como o trabalho a céu aberto em dias muito quentes pode afetar sua saúde e a NHO 06 - Norma de higiene ocupacional: avaliação da exposição ocupacional ao calor: procedimento técnico. Já a ferramenta Monitor IBUTG serve para auxiliar trabalhadores, empregadores e profissionais de SST na avaliação da exposição ocupacional ao calor, sem fontes artificiais, em ambientes de trabalho externos, e está disponível por aplicativo e sítio eletrônico.
Por fim, o professor emérito da Escola de Meio Ambiente da Universidade de Massachusetts (Boston/EUA), Carlos Eduardo Gomes Siqueira, falou como debatedor da mesa. Para ele, é essencial que a capacidade de resposta às emergências climáticas inclua o conjunto de questões envolvidas, observando-se toda a complexidade e não avaliando apenas um ou outro impacto.
Siqueira criticou o capitalismo do desastre, em que, após a ocorrência, realiza-se a reconstrução local para parte da população e se expulsam aqueles de baixa renda, em vez de se reconstruir sua casa com melhores condições. Estimula-se a gentrificação, processo de transformação de áreas urbanas que leva ao encarecimento do custo de vida e aprofunda a segregação socioespacial nas cidades.
Em sua avaliação, o deslocamento forçado, a longo prazo, pode levar a problemas relacionados à saúde mental, como depressão e até suicídio. Perde-se, também, a identidade de terra, e, no caso da população indígena, ocorre a perda de cultura. “Exigem-se metodologias de monitoramento mais dinâmicas e mais completas”, conclui o professor.
Ações institucionais
Durante a comemoração, as diretorias de Pesquisa Aplicada, Conhecimento e Tecnologia e Administração e Finanças apresentaram as ações institucionais.
O diretor de Pesquisa Aplicada, Rogério Bezerra da Silva, destacou a realização de pesquisa-intervenção, na qual a produção de conhecimento cientificamente embasado busca promover ações para mudar a realidade apresentada e que incidam nas políticas públicas. Atualmente a Fundacentro possui 12 programas, nos quais estão inseridos diferentes projetos:
ð Intersetorialidade e combate à ocultação do adoecimento ocupacional no Brasil;
ð Economia Solidária para a geração de trabalho decente e proteção da saúde do trabalhador e da trabalhadora;
ð Segurança e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar;
ð Segurança e saúde dos educadores e educadoras;
ð Mudanças climáticas e segurança e saúde no trabalho;
ð Trabalho e relações trabalhistas mediadas por tecnologias digitais;
ð Saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras;
ð Riscos químicos, biológicos, físicos e tecnologias emergentes;
ð Gestão de riscos em micro e pequenas empresas;
ð Organização do trabalho, gestão e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras;
ð Segurança e saúde das trabalhadoras; e
ð Segurança e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras da indústria da construção.
O diretor de Conhecimento e Tecnologia Remígio Todeschini apresentou alguns dados sobre a contribuição da Fundacentro na formação dos profissionais de SST ao longo da história. A instituição formou, em convênio com universidades e escolas técnicas, 104.828 auxiliares de enfermagem e enfermeiros do trabalho, médicos do trabalho, supervisores e engenheiros de segurança do trabalho, entre 1973 e 1985. Já a Pós-Graduação da instituição, oferecida de 2011 a 2017, formou 83 mestres em Trabalho, Saúde e Ambiente.
Todeschini ainda apresentou o número de pessoas alcançadas pelos trabalhos da Fundacentro no primeiro semestre de 2024:1.015.884 – 20.621 certificados por cursos on-line na página da EV.G (escola Virtual de Governo), 2.410 por cursos na Fundacentro, 519 em eventos; 76.800 visualizações por YouTube, 32.551 downloads na biblioteca digital; 428.833 acessos da RBSO; 237.000 usuários ativos no site; 109.797 pessoas cadastradas na mala-direta; alcance de 36.913 contas no Facebook e 70.400 no Instagram.
“As pesquisas precisam se traduzir no trabalho seguro e saudável, com a contínua difusão de conhecimento em SST e a ampliação de formação para o trabalhador e para a trabalhadora”, defende Remígio.
O diretor substituto de Administração e Finanças, Benedito Guimarães, destacou as demandas existentes e como a falta de servidores traz sobrecarga de trabalho para a área administrativa. “A estrutura da DAF é crucial para o andamento da instituição através da gestão de recursos, da logística, a gestão de pessoas dos contratos de terceirizados e na conformidade do cumprimento da legislação”, afirma.
O evento ainda contou com a apresentação de pesquisas de pós-graduação lato sensu, mestrado e doutorado realizadas por servidores da Fundacentro. A atividade fez parte da XII Semana da Pesquisa, como segunda edição. As discussões serão divulgadas em outra notícia no portal institucional.
Saiba mais
Assista ao evento “Rumo aos 60 anos: em busca de um futuro sustentável em Segurança e Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora” no canal da Fundacentro no YouTube: discussões do período da manhã e da tarde.
Acesse a programação.
Categoria Trabalho, Emprego e Previdência
Tags: #Fundacentro#SaúdeDoTrabalhador#SegurançaNoTrabalho#58Anos

