Geoglifos da Amazônia são destaque no 5º Simpósio Internacional de Arqueologia em Rio Branco
Figuras geométricas escavadas no solo são patrimônio que revelam parte da história de povos que habitaram a Amazônia Ocidental há cerca de 2,5 mil anos Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
11/07/2025 17h56
Atualizado em 15/07/2025 16h41
Foto: Iphan/AC
Nos dias 8 e 9 de julho, no Palácio da Justiça, em Rio Branco (AC), aconteceu o 5º Simpósio Internacional de Arqueologia da Amazônia Ocidental, que reuniu pesquisadores, instituições públicas e representantes da sociedade civil para debater os geoglifos da Amazônia Ocidental, seu valor histórico, científico e suas perspectivas de preservação.
Foto: Iphan/AC
O evento foi promovido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com o Instituto Ibero-Americano da Finlândia, e contou com o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A iniciativa integra as ações do projeto “Geoglifos: Histórias Indígenas e Paisagem na Amazônia Ocidental”, coordenado pelo professor Rhuan Carlos Lopes, e homenageia a arqueóloga Denise Pahl Schaan (in memoriam), referência nos estudos arqueológicos da região.
Entre os destaques da programação, esteve a mesa redonda “Políticas de preservação e gestão dos Geoglifos”, na tarde do dia 9, que foi mediada pelo procurador da República Luidgi Merlo, do Ministério Público Federal (MPF). A mesa reuniu representantes de instituições estratégicas como Iphan, Universidade Federal do Acre (UFAC), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), entre outros, promovendo um debate essencial sobre o futuro do patrimônio arqueológico do Acre.
O superintendente do Iphan no Acre, Stenio Cordeiro, ressalta que o simpósio teve debates enriquecedores. “Estão entrando na discussão várias secretarias, tanto estaduais, como municipais, além de órgãos federais. A gente está muito feliz, porque todo mundo está com o mesmo propósito: desenvolver a geração de trabalho e renda, e o geoglifo é um ponto de partida. O turismo faz com que a população conheça, e, ao conhecer, preserve”, afirma.
A programação do simpósio contou ainda com conferências internacionais, como a do professor Martti Pärssinen (Universidade de Helsinki/Instituto Ibero-Americano da Finlândia), com exibição de documentário e lançamento de grupo de pesquisa, além de discussões sobre arqueoturismo e o papel da ciência na valorização dos conhecimentos indígenas ancestrais.
O evento foi gratuito, aberto ao público e voltado especialmente a pesquisadores, estudantes, gestores públicos, lideranças indígenas e interessados na preservação do patrimônio cultural da Amazônia.
Geoglifos
Os geoglifos da Amazônia são estruturas de terra escavadas no solo, formadas por valetas e muretas, que representam figuras geométricas. Eles foram encontrados na região sudoeste da Amazônia Ocidental, mais predominantemente na porção leste do Acre. No estado, foram identificados mais de mil geoglifos.
Foto: Oscar Liberal/Iphan
Os primeiros registros desses sítios remontam à década de 1970, contudo, foi a partir dos anos 2000 que passaram a ser alvo de intervenções científicas sistemáticas. As pesquisas arqueológicas nessas áreas revelam informações importantes sobre o manejo da paisagem amazônica por grupos indígenas que habitaram a região há aproximadamente 2,5 mil anos.
Apesar de não haver uma interpretação única entre pesquisadores que investigam o tema sobre a função e uso dos geoglifos, cogita-se que podem ter sido espaços sociais coletivos para uso cerimonial, simbólico ou ritualístico.
O estudo dessas estruturas confirma que o processo de ocupação e povoamento da região amazônica, no primeiro milênio da era cristã, foi empreendido por grupos indígenas numerosos e com grande capacidade tecnológica para modificar o ambiente de terra firme e várzea, imprimindo na paisagem características de sua identidade.
Pela sua excepcionalidade e relevância para a compreensão do período pré-colonial, esses sítios representam um exemplar único do patrimônio histórico e social. Possuem, ainda, grande relevância para a identidade amazônica, por constituírem uma paisagem cultural resultante de marcas sociais e simbólicas que expressam não apenas a capacidade tecnológica de manejo do meio ambiente, mas, acima de tudo, a paisagem com características indígenas.
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Categoria Cultura, Artes, História e Esportes
Tags: Acre



