O Brasil poderá ser alvo de novas tarifas dos Estados Unidos a partir do próximo mês. O escritório do representante comercial americano propôs taxar produtos brasileiros em 25%, após uma investigação sobre práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA.
Como justificativa, o órgão cita decisões da justiça brasileira envolvendo empresas de mídia social, acordos comerciais e o uso do pix. As decisões, no entanto, foram tomadas dentro da legislação brasileira.
A proposta faz parte das conclusões de uma investigação aberta em julho do ano passado, a pedido do presidente Donald Trump. A tarifa poderá ser aplicada à maior parte das mercadorias brasileiras exportadas para os Estados Unidos, com exceção de alguns produtos, como determinados tipos de carne, frutas, terras raras e aviões.
O documento da investigação também critica as tarifas reduzidas aplicadas pelo Brasil a alguns países, como México e Índia.
A aplicação definitiva da taxa está prevista para depois de 15 de julho, após uma audiência pública marcada para o dia 6 do mesmo mês.
Os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva se reuniram em 7 de maio, nos Estados Unidos. Na ocasião, foi criado um grupo de trabalho para discutir a questão tarifária, com prazo de 30 dias para apresentar uma solução.
O governo brasileiro considera as tarifas injustificáveis e argumenta que a balança comercial entre os dois países é favorável aos Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre o assunto em um evento na cidade de Catalão, em Goiás. Ele criticou a medida do governo americano e acusou o senador Flávio Bolsonaro de interferir nas negociações que estavam em andamento. Ele disse ainda que, enquanto isso, a relação com a China segue firme.
“A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês. Então, veja, eu tenho muita sorte, tenho muita sorte, eu não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro. A minha disputa é a disputa de narrativa e a disputa da verdade. Eu não permitirei, enquanto eu for vivo, que a mentira predomine sobre a verdade”, disse Lula.
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