O governo vai lançar um serviço de teleatendimento para pessoas com problemas relacionados aos jogos de apostas, as chamadas bets. A ação é em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. O anúncio foi feito hoje (3), durante o lançamento de ações integradas entre os ministérios da Fazenda e da Saúde.
Esse teleatendimento em saúde mental vai fazer, inicialmente, 450 consultas por mês. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2023, 2,2 mil pessoas procuraram no SUS atendimento para o vício em bets. Em 2024, esse número chegou a quase 3,5 mil, o que mostra que é um grave problema de saúde pública.
O governo vai disponibilizar, a partir do dia 10, quarta-feira da semana que vem, uma plataforma para que os apostadores façam a autoexclusão de todos os sites de apostas de uma só vez. Essas bets autorizadas pelo governo já eram obrigadas a oferecer nas próprias plataformas mecanismos de autoexclusão. Mas, agora, essa plataforma vai unificar esse serviço e vai permitir que o apostador faça, de uma só vez, o bloqueio de todas as contas. Ele também poderá deixar o CPF indisponível e cancelar o recebimento de publicidade de bets.
Hoje, também foi anunciada a qualificação de 20 mil profissionais da rede de atenção psicossocial do SUS para o cuidado e acolhimento de pessoas que têm vício em apostas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou que esse problema cresceu por causa dos quatro anos sem regulamentação, ou seja, de 2019 a 2022.
“Agora, nós temos condição de identificar, por data mining, por um trabalho de pinçar os dados, aqueles casos mais preocupantes. Tanto na ponta do crime, quanto na ponta da dependência. E no caso do crime, o Ministério da Justiça vai receber informação. No caso da saúde pública, é o Ministério da Saúde que vai receber informação”, explicou Haddad.
“Ao perceber que um mesmo CPF entra ali na plataforma num certo padrão, que significa adição, que significa compulsão, a partir de padrões nacionais e internacionais que nós estamos estabelecendo, você poder registrar isso, notificar, saber onde tá essa pessoa, saber onde ela mora, saber qual é o agente comunitário de saúde que mora perto da casa dela”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
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