Atividade passou pelos campi Apipucos e Casa Forte da Fundação e integrou ações do programa Giras da Memória
Integrantes da comunidade do Terreiro de Xambá, em Olinda, participaram, nesta quarta-feira (27), de uma visita técnica a espaços de preservação da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). A atividade integra o Programa Educativo Sociocultural Giras da Memória, desenvolvido pelo Museu Guitinho da Xambá, iniciativa vinculada ao Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar (CAC Bongar).
A programação começou na Villa Digital, no campus Apipucos, onde o grupo conheceu processos de catalogação digital de acervos e iniciativas voltadas à preservação da memória em ambientes digitais. Em seguida, os participantes estiveram no campus Casa Forte da Fundaj, onde visitaram o Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte Antônio Montenegro (Laborarte) e tiveram contato com técnicas de restauração e conservação de tecidos, além de conhecerem a sala da reserva técnica de acervo do Museu do Homem do Nordeste (Muhne).
As visitas fazem parte do processo de formação desenvolvido pelo Giras da Memória, programa voltado à preservação do patrimônio cultural e à construção do futuro Museu Guitinho da Xambá. A proposta busca capacitar integrantes da comunidade em áreas ligadas à conservação, catalogação e manutenção de acervos históricos.
Participante das atividades, Anderson Paraíso, do Terreiro de Xambá, destacou que as visitas têm contribuído para ampliar os conhecimentos sobre preservação e restauração de acervos, conhecimentos que deverão ser aplicados no trabalho desenvolvido pela comunidade. “Essas visitas ajudam a gente a aprender como preservar nossa memória e manter viva a cultura da Xambá”.
A museóloga Vania Brayner, idealizadora da iniciativa, afirmou que a proposta das visitas é aproximar a comunidade de práticas já desenvolvidas por instituições culturais. Ela explicou que a construção do Museu Guitinho da Xambá busca envolver diretamente os moradores e participantes do projeto, para que a própria comunidade possa compreender e gerir os processos relacionados ao acervo e à manutenção do espaço. “O melhor possível é a gente ir conhecer o que está sendo feito e tentar fazer o melhor que a gente pode dentro das condições que temos”, afirmou Vania.
A presidenta do CAC Grupo Bongar – Guitinho da Xambá, Marileide Alves, destacou que a atividade representa uma de várias etapas da formação oferecida pelo programa. “É importante que a comunidade conheça espaços que já têm experiência na preservação de acervos para fortalecer a construção do Museu Guitinho da Xambá”.
A ação conta com a participação da equipe educativa do Museu do Homem do Nordeste. A coordenadora de Ações Educativas e Comunitárias do Muhne, Edna Silva, ressaltou que a parceria entre a Fundaj e o Terreiro de Xambá já ocorreu em outras iniciativas e destacou a importância da troca de experiências entre as equipes. “Essa troca de experiências fortalece tanto a comunidade quanto o fazer museal desenvolvido aqui”, afirmou Edna.
Mesmo fechado para reforma, o Museu do Homem do Nordeste recebeu o grupo para apresentar parte de suas atividades internas de preservação e gestão de acervos. “O Museu está fechado, mas está vivo, está acontecendo”, comentou a coordenadora ao destacar a importância de aproximar a comunidade dos processos museológicos e das práticas de conservação realizadas pela instituição.


