GT sobre Patrimônio Cultural Indígena do Iphan escuta povos nas cinco regiões do país
Os encontros virtuais, parte do plano de trabalho do Grupo, já ocorreram no Norte e Nordeste Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
10/10/2025 14h35
Foto: Ângela Amanakwa Kaxuyana
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) atua na preservação de manifestações culturais dos povos originários brasileiros - como danças, modos de fazer, rituais, práticas artísticas, sítios arqueológicos e locais sagrados-, proporcionando-lhes o acesso às políticas públicas em cultura.
Vanda Cariri participou da escuta no NE. Foto: Tiago Anacé
Para aprimorar essa salvaguarda, foi criado, em abril de 2025, o Grupo de Trabalho sobre o Patrimônio Cultural Indígena do Iphan, que desde setembro está realizando escutas com pesquisadores, lideranças e representantes de povos indígenas nas cinco regiões do Brasil. A atividade faz parte do plano de trabalho do GT, cujo objetivo é elaborar um diagnóstico abrangente das ações do Iphan relacionadas ao patrimônio cultural indígena e apresentar diretrizes de atuação visando a sua proteção e valorização, respeitando a autonomia e os protocolos culturais dos povos. A coordenação do GT é do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), unidade especial do Iphan.
As escutas já foram realizadas de forma virtual com representantes das regiões Norte (5/9) e Nordeste (19/9). A
Luaryel Paiacu levou suas contribuições no encontro do Norte. Foto: autorretrato
atividade visa propiciar que o Iphan aborde o patrimônio cultural indígena de maneira integrada e específica às demandas dos grupos indígenas brasileiros. “A escuta desses grupos é primordial para garantir a participação efetiva deles na preservação do seu próprio patrimônio, além de orientar as diretrizes a serem pensadas pelo Iphan”, explica Ana Leal, coordenadora do GT.
Além de representações indígenas, o Iphan também tem ouvido pesquisadores para ajudar o órgão a identificar exemplos de boas práticas relacionadas ao patrimônio indígena. Na reunião da região Norte, o professor da Universidade Federal da Amazônia, Carlos Augusto da Silva Apurinã, defendeu o protagonismo indígena no debate “os povos da Amazônia são os verdadeiros gestores da água e da floresta”.
O posicionamento do docente foi corroborado pelo arqueólogo cearense Agnelo Queirós. “O Estado deve dar condições estruturais para que os indígenas cuidem de seus patrimônios, e eles sabem, de acordo com a sua ancestralidade, como cuidar” explicou durante sua participação no encontro com representantes do Nordeste.
No mesmo encontro, a representante indígena Jarluzia Tapuia (RN) ressaltou que a escuta deve ser delicada e planejada junto com as lideranças locais. "A função do Iphan é fomentar a preservação das culturas indígenas, nossas memórias; e nossa memória não é produto, não é mercadoria. É necessário visitar as comunidades para ouvir, para terminar em políticas públicas, em diretrizes” declarou.
Por uma nova abordagem da Arqueologia
Agamenon Kraunan participou da escuta com a região Nordeste. Foto: Tiuaká - kraunã
Um dos frutos das atividades de escuta na região Nordeste foi a Relatoria Indígena da Roda de Conversa, realizada pela advogada indígena do Rio Grande do Norte Vanessa Medeiros Meira Tarairiú. No documento, ela trouxe as visões, opiniões, críticas e sugestões dos presentes, que refletiram sobre como o Estado deve promover a preservação do patrimônio cultural indígena e, principalmente, sobre a falta de protagonismo dos povos originários nas pesquisas em seus sítios.
“A arqueologia poderia ter consultado os povos antes, porque os nativos são os verdadeiros donos daquele lugar. E isso nos foi negado, diante de uma academia que não via quem contava a história verdadeira.” disse Agamenon Kraunan, de Alagoas, criticando a visão eurocentrista e o apagamento da memória indígena.
Já o antropólogo Cícero Jeripancó, também de Alagoas, salientou que é positivo que “hoje a arqueologia está sendo usada como instrumento de afirmação e de lutas de identidades e territórios.” A importância da área para os povos originários também foi destacada por Julhin de Tia Lica, do povo Tapuia Caboré do Seridó: “A arqueologia trouxe senso de pertencimento e espanto com a terra novamente”.
Todos os apontamentos serão considerados na elaboração do diagnóstico e diretrizes de atuação do Iphan ao fim dos trabalhos do Grupo. “Estamos aqui para entender como melhor fazer esse trabalho, que é do Iphan e de toda a sociedade” finalizou Francisco Stuchi, arqueólogo do Instituto.
O Grupo de Trabalho interno sobre Patrimônio Cultural Indígena foi instituído pela Portaria de pessoal Iphan nº 197, de 15 de abril de 2025, e conta com representação de distintas áreas do Instituto. Seu objetivo é elaborar um diagnóstico das ações do Instituto relacionadas ao patrimônio cultural indígena e apresentar diretrizes de atuação visando a sua proteção e valorização, respeitando a autonomia e os protocolos culturais dos povos indígenas.
Além das escutas, o GT está realizando um diagnóstico interno sobre ações do Iphan relacionadas ao patrimônio cultural indígena - indicando os principais desafios e lacunas nas políticas e práticas institucionais - por meio de aplicação de formulário de consulta a ser respondido pelas unidades do Iphan.
Mais informações
Assessoria de Comunicação do Iphan - comunicacao@iphan.gov.br
Marina Mattioni - marina.mattioni@iphan.gov.br
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Categoria Cultura, Artes, História e Esportes
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