Há 45 anos morria o cineasta Glauber Rocha. Ele entrou para a história como o criador que revolucionou o cinema brasileiro. Seus filmes aparecem em listas dos melhores já produzidos no país.
Glauber Rocha era pura energia criadora e revolucionária. Nasceu em Vitória da Conquista, na Bahia, e começou muito cedo na carreira. Seu primeiro filme foi O Pátio, de 1959, com a colega de faculdade Helena Ignez, que viria a ser sua primeira esposa e até hoje continua na carreira artística no teatro.
"A primeira vez que eu vi Glauber, eu entrava na Faculdade de Direito, tinha passado no vestibular, e no palco estava Glauber recitando Castro Alves e rindo muito de um ator que era meio canastrão e que era especialista em Castro Alves. Então foi uma cena assim engraçadíssima. E começamos a nos conhecer. E aí foi uma relação muito forte, que durou 5 anos, uma relação profunda...", lembra a atriz.
A filha primogênita, Paloma Rocha, lembra de Glauber como um pai cuidadoso, apesar da intensa vida no cinema. "O Glauber, antes de tudo, é um sertanejo, baiano. Ele falava muito para mim: 'Minha filha, nunca me mitifique'. Então ele era um pai zeloso não só comigo, mas com toda a família", destaca ela.
Logo aos 25 anos de idade, Glauber faz Deus e o Diabo na Terra do Sol, em 1964, filme que o tornou conhecido internacionalmente. O papel principal, do personagem Corisco, coube ao ator Othon Bastos. Aos 93 anos de idade, ele continua atuando.
O último filme de Glauber foi A Idade da Terra, que causou polêmica ao ser apresentado no Festival de Cannes de 1980. Ana Maria Magalhães, que teve o papel principal, estava presente na ocasião. Até hoje, ela demonstra gratidão ao diretor, com quem manteve intensa amizade até sua morte, no ano seguinte.
Com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, Glauber Rocha revolucionou o cinema. Em 22 anos de carreira, ele deixou marcas que até hoje são referências para os novos cineastas. Glauber dirigiu 9 longas e 8 curtas-metragens. Entre seus maiores sucessos, além de Deus e o Diabo, estão Terra em Transe e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, que lhe consagrou em Cannes como melhor diretor. Ele morreu em 22 de agosto de 1981, aos 42 anos, por causa de problemas pulmonares.
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