O Rio de Janeiro celebrou nesta terça-feira (18) o pontapé inicial para a construção de um Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo, na zona portuária da cidade. O cais atua como marco fundamental de memória, resistência e valorização da diáspora africana e do território da Pequena África.
No início na cerimônia, o cortejo de um grupo que preserva a cultura afro-brasileira no Rio de Janeiro desde os anos 1950: o Afoxé Filhos de Gandhi. Os integrantes participaram da comemoração pelo início das obras de um complexo cultural que vai celebrar a herança dos povos africanos na região da Pequena África, no Rio de Janeiro.
O centro cultural vai funcionar no histórico Edifício Rebouças, construído e projetado pelo engenheiro negro e abolicionista no século XIX. A obra ficou marcada por não usar mão de obra escravizada. O prédio fica em frente ao Cais do Valongo, principal ponto de desembarque e comércio de africanos escravizados nas Américas. O local é patrimônio mundial da UNESCO desde 2017.
No térreo do prédio serão construídos três espaços. O primeiro deles, vai abrigar o Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial Cais do Valongo.
Também serão construídos um memorial em homenagem a André Rebouças e um laboratório aberto de arqueologia urbana, com mais de um milhão de itens que foram encontrados durante as obras de revitalização da região portuária do Rio. O custo da construção é de R$ 77 milhões e será financiado pela União. A previsão é que os trabalhos durem cerca de três anos.
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