Uma coleção com mais de sete décadas
Sua principal missão é dar suporte à pesquisa botânica e à produção de conhecimento sobre a Mata Atlântica, com forte representação da flora do Espírito Santo.
O Herbário MBML também vem passando por um processo de modernização. Armários deslizantes adquiridos com apoio da Finep otimizaram o uso do espaço e ampliaram a capacidade de armazenamento da coleção.
A principal forma de preservação em um herbário é a exsicata, uma amostra da planta prensada e seca, acompanhada por informações de coleta.
O Herbário MBML foi fundado na década de 1950 pelo naturalista Augusto Ruschi, a partir de sua coleção pessoal e de exemplares doados pela então Secretaria de Agricultura, Terras e Colonização do Espírito Santo.
O acervo do MBML possui ainda carpoteca, com frutos e sementes; xiloteca, formada por amostras de madeira; e uma coleção em meio líquido para preservação de estruturas botânicas.
60 mil registros da biodiversidade
Sobre o Herbário MBML O Herbário MBML integra as coleções científicas do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em Santa Teresa (ES). Criado a partir da coleção do naturalista Augusto Ruschi, reúne registros botânicos principalmente da Mata Atlântica e dá suporte a atividades de pesquisa, formação científica e conservação da biodiversidade.
Acervo cada vez mais acessível
O Herbário MBML, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), alcançou a marca de 60 mil amostras incorporadas ao seu acervo. O exemplar de número 60.000 é da espécie Picramnia glazioviana Engl., coletado pelo botânico Vitor Manhães durante estudos de inventário florístico realizados em um inselbergue no município de Castelo, no Espírito Santo.
A coleção preserva até hoje materiais coletados por Ruschi, inclusive exemplares relacionados a espécies que ele descreveu para a ciência. O material mais antigo existente no acervo é anterior à própria fundação do herbário: foi coletado em 1905 e posteriormente doado pelo Museu Nacional.
Picramnia glazioviana Engl., da família Picramniaceae, grupo que inclui espécies de árvores, arvoretas ou arbustos, distribuídas em florestas da região Neotropical. A espécie P. glazioviana, também conhecida como café-bravo ou cafezinho-do-mato, ocorre nos biomas Mata Atlântica e Cerrado, de Pernambuco até o estado de São Paulo.
Paralelamente, a digitalização permite que imagens e informações das amostras sejam consultadas pela internet. Dados do Herbário MBML estão disponíveis em plataformas como speciesLink, SiBBr e Herbário Virtual Reflora, possibilitando que pesquisadores de diferentes regiões consultem a coleção remotamente e reduzindo a necessidade de manuseio dos exemplares físicos.
A reunião desses materiais ao longo de décadas permite aos pesquisadores identificar espécies, estudar sua distribuição geográfica, comparar registros antigos e atuais e investigar alterações na flora. Os acervos são utilizados em estudos de taxonomia, ecologia, biogeografia, genética e conservação e também podem contribuir para pesquisas sobre restauração ambiental e definição de áreas prioritárias para proteção.
“Chegar a 60 mil exemplares mostra não apenas o crescimento da coleção, mas o acúmulo de conhecimento produzido ao longo de muitas décadas. Cada amostra está associada a uma espécie, um lugar, uma data e um trabalho de pesquisa. Quando reunimos esses registros, construímos uma fonte de informações sobre a diversidade e a história da flora da Mata Atlântica”, destaca Pedro Lage Viana, curador do Herbário MBML.
A adoção do Sistema de Gerenciamento de Coleções Botânicas JABOT moderniza o gerenciamento das amostras e permite agilizar o registro, a organização, a atualização e a disponibilização dos dados do acervo.
“Os inventários florísticos são fundamentais para conhecermos quais espécies ocorrem em uma determinada área e documentarmos essa diversidade. Quando uma coleta é incorporada ao herbário, ela deixa de servir apenas ao projeto original e se torna um registro permanente, disponível para futuras pesquisas”, explica Vitor Manhães.
“O herbário não é um arquivo encerrado. Ele cresce junto com a pesquisa. Novos inventários e expedições produzem materiais que passam a integrar a coleção e podem ser utilizados por outras gerações de pesquisadores”, afirma Pedro.
Além de preservar os exemplares, o MBML presta apoio à identificação de material botânico, recebe amostras-testemunho de pesquisas, atende pesquisadores e estudantes e mantém intercâmbio, empréstimos e permutas de materiais com outras coleções científicas.
Entre seus materiais de maior importância científica estão cerca de 1.570 tipos nomenclaturais — exemplares associados à descrição e aos nomes científicos das espécies e utilizados como referências por pesquisadores.
Mais do que um marco numérico, a chegada às 60 mil amostras representa o crescimento de uma coleção construída a partir de décadas de pesquisas e expedições botânicas. Cada exemplar preserva não apenas uma planta, mas também informações sobre onde e quando ela foi encontrada, permitindo que a coleta continue servindo à ciência muitos anos depois de encerrado o estudo que lhe deu origem.
A planta coletada em Castelo é agora o registro 60.000 dessa coleção. Como milhares de exemplares que vieram antes dela, permanecerá preservada para estudos que podem ir muito além da pesquisa que motivou sua coleta.





